Foi atrás do balcão de um pequeno bar em Londrina que o jovem Raul Fulgêncio, de apenas 11 anos, aprendeu a lidar com o público. Um dos quatro filhos de seu Jair, o menino começou a trabalhar bem cedo no comércio da família e, contrariando o desejo do pai – que deixou Assaí rumo a Londrina para que os filhos estudassem –, preferiu encarar os desafios da vida sem passar muito tempo se dedicando aos livros didáticos. Deu certo. Com 40 anos de experiência no mercado imobiliário, Raul Fulgêncio, de 59 anos, hoje está à frente da maior imobiliária do Sul do Brasil, com expectativa de faturamento de R$ 1 bilhão para 2013. Este ano, o negócio fechou com faturamento de R$ 650 milhões, um crescimento de 938% nos últimos seis anos.

Durante a sua trajetória, em muitas ocasiões Fulgêncio mostrou que é um empreendedor nato. Ele afirma que nunca gostou de trabalhar com carteira assinada. "Quando trabalhei como cobrador de uma empresa, no início da década de 1970, ia atrás das dívidas mais difíceis de receber, porque assim eu ganhava comissão", relata.

Quando soube através de seu irmão que havia um "bico" numa imobiliária da cidade, resolveu apostar. Nesta época, ele vendia livros de um curso de inglês. Ingressou na imobiliária como angariador, aquele funcionário que encontra oportunidades nas ruas e leva até o corretor para que ele faça o negócio. "Com 19 anos queria comprar um carro, percebi que nem se vendesse todos os livros do mundo eu conseguiria. Pensei que se fechasse cinco negócios na imobiliária já poderia ter meu carro", brinca o empresário.

A partir dali, Fulgêncio nunca mais deixou este mercado. Mudou de empresa novamente e em pouco tempo se tornou corretor de imóveis. Depois de três anos já gerenciava uma equipe de corretores. "Eu acho que me vendia melhor do que vendia os imóveis. Sempre tive muita vontade, mas não tinha muito talento para ser gerente. Como sempre valorizei as pessoas, fiz com que minha equipe em menos de seis meses triplicasse os resultados da empresa", relembra o empreendedor.

Mudou mais uma vez de empresa e, depois de um tempo como corretor novamente, se tornou sócio de Romeu Curi.

Nova fase
Depois de 22 anos trabalhando junto, a dupla resolveu desfazer a sociedade. Em 1997, Fulgêncio assumiu voo solo. Os quatro anos iniciais foram de turbulência, mas em 2002 resolveu apostar num novo segmento de mercado no qual hoje ele é expert: formar grupos para o desenvolvimento de projetos, como o Complexo no Marco Zero e o Eco Mercado Palhano. "Quando o Lula foi eleito, todos começaram a comprar imóveis com medo dele tomar o dinheiro da poupança. Percebi que iria faltar produto no mercado e para desenvolvê-los precisaria de terrenos. Neste caso, os investidores entram num dos nossos grupos, compram uma cota de um imóvel de R$ 20 milhões, por exemplo, e têm sua rentabilidade garantida."

Sempre empolgado e sem nem pensar em aposentadoria, Fulgêncio acredita que pode fazer muito pelo desenvolvimento da cidade através de seus projetos. "Muitas pessoas me perguntam o segredo do sucesso. Minha resposta é férias longas e filantropia. Pretendo trabalhar muito e ultrapassar o Oscar Niemeyer. Não estou preparado para jogar dominó na praça."

Imagem ilustrativa da imagem Um corretor de imóveis por natureza



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- Para 2013, expansão deve ser ainda maior

- Valorização dos colaboradores é fundamental

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