Um anjo para seu negócio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de março de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Uma ideia inovadora, vontade empreendedora, mas nenhum capital para começar ou manter um negócio no mercado. A dificuldade que muitos jovens empresários encontram no início de seus projetos pode ser sanada por meio do conceito de ''capital anjo'', que começa a ser difundido no Paraná. A modalidade de investimento consiste num investidor (chamado de anjo) que injeta seu capital em empresas em fase de desenvolvimento, trazendo todo seu expertise para quem está começando, se tornando um sócio da empresa. No Estado, o projeto foi idealizado no final do ano passado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), por meio do Centro Internacional de Inovação (C2i).
Atualmente a Rede de Anjos do Paraná conta com 15 empresários dispostos a investir em projetos inovadores, mas, por ter sido criado recentemente, poucas empresas já procuraram este modelo de investimento. Tal conceito foi criado nos Estados Unidos - mais precisamente no Vale do Silício - onde atualmente são por volta de 250 mil ''anjos''. No Brasil, já existem redes consolidadas no Rio De Janeiro, Santa Catarina, Bahia e São Paulo.
O gerente executivo do C2i, Filipe Cassapo, explica que nesta economia globalizada, as empresas precisam nascer diferenciadas. Para isso, é fundamental que o empreendedor possua capital necessário. ''O que estamos fazendo é uma aproximação, de forma organizada, dos empreendedores com os investidores, que muitas vezes não sabem aonde aplicar seu capital''.
Cassapo salienta que no Brasil a maioria dos investimentos ainda acontece através de recursos públicos. ''Estamos num processo inicial de ligar a inovação com os investimentos privados. Temos que aproveitar agora, estamos passando por um momento excelente, com ênfase neste processo de inovação da indústria''.
Os investimentos - como acontecem em outras redes anjos pelo Brasil - podem variar de R$ 200 mil a mais de R$ 1 milhão. Segundo Cassapo, o investidor anjo se torna um sócio minoritário da nova empresa, mas por um prazo que vai depender da velocidade de retorno da aplicação. ''É um investimento de risco e o maior interesse do investidor é rentabilidade com velocidade. Ele vai se tornar um coach do negócio, levar toda sua experiência, ajudar a traçar os planos, dialogar. No geral, o ciclo de investimento dura entre 5 e 7 anos''.
Crescimento
Para 2012, a expectativa é que pelo menos 15 empresas paranaenses apresentem para a rede negócios que possuam perfil inovador e de alta rentabilidade. Os segmentos são bem variados: biotecnologia, metalmecânico, alimentos, etc. Ronaldo Duschenes, eleito presidente da Rede C2i anjos recentemente, relata que os investidores realizam uma análise profunda do negócio antes da aplicação.
Em contrapartida, os ''anjos'' também ficam de olho na paixão do empreendedor pela sua ideia, que pode muitas vezes ser considerada ''maluca''. ''Temos aí diversos exemplos que deram muito certo, com a empresa Miner, comprada pelo Google, e o próprio Facebook atualmente'', complementa Duschenes.



