Um abacaxi bom de descascar
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2002
Oswaldo Petrin Reportagem local 
Menos de dois anos atrás, a professora de línguas Helga Ellwein e seu marido, o agrimensor Sílvio Dantas Haenisch, compraram um sítio de 9 alqueires em Cafeara, região do arenito, com o objetivo exclusivo de produzir abacaxis. Ao final da primeira colheita, que ainda não chegou à metade, a previsão do casal é que a receita será suficiente para retornar todo o investimento com o imóvel; cobrir o custo de produção da cultura e ainda ampliar a área. E Sílvio planeja implantar uma pequena indústria de processamento.
A indústria promete alavancar de vez o negócio. Não que o produto in natura seja de difícil comercialização, mas para agregar valores. Na venda a granel, Helga Ellwein vem encontrando boa receptividade junto a supermercados, indústrias de sucos e sorvetes e outros estabelecimentos, inclusive entregas em Curitiba, fazem parte da clientela inicial.
A boa rentabilidade e liquidez vêm de uma área que não passa de dois alqueires. A lavoura tem 150 mil pés em produção mais 210 mil plantas novas. Os 150 mil pés devem produzir pelo menos 120 mil frutos para ser pessimista, segundo estimativa Sílvio. Ele quer chegar a uma área de 500 mil pés, quantidade que considera ideal para conduzir bem técnica e econômicamente.
Os números e o entusiasmo de Helga não surpreendem o pesquisador Sérgio Luiz Colucci de Carvalho, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que vem pesquisando a fruta desde 1976. Ele calcula em 80% a rentabilidade média do abacaxi para as lavouras bem conduzidas tecnicamente. Hoje não temos dúvida que é uma opção muito interessante.
O Iapar mapeou a área apta para plantio de abacaxi. É ampla, compreende toda costa norte e oeste, entrando até o Vale do Rio Iguaçu, na região de Capanema, onde tem até quem produz abacaxi orgânico. Carvalho cita exemplos de produtores bem-sucedidos em vários municípios como Atalaia, Paranavaí, Santa Izabel do Ivai, Pérola e Itaipulândia, entre outros. Em pelo menos três desses mucípios há pequenas agroindústrias, dimensionadas para absorver pequena produção. No Litoral, descendo a Serra do Mar, é possível produzir abacaxi em altitudes baixas.
A agroindústria ainda é incipiente e quem está produzindo em escala busca o mercado em outras regiões ou vende para consumo in natura. Mas este mercado existe e um mercado comprador, segundo Carvalho.
Cerca de 90% do abacaxi consumido no Paraná vem das Centrais de Abastecimento do Estado de São Paulo (Ceagesp) ou diretamente do Estado de Minas Gerais, percorrendo grande distância. Por exemplo, uma carga procedente de Frutal - na divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais - viaja cerca de 800 quilômetros. No entanto, a produção do Norte ou Noroeste do Paraná está estrategicamente localizada: perto dos grandes centros de consumo e do Mercosul - que hoje atravessa o Paraná para buscar a fruta em São Paulo ou Minas Gerais.


