A Ultrafértil vai manter os preços da uréia para os seus clientes (empresas misturadoras e do setor químico) até o final do ano. A informação é de Luiz Antonio Bonagura, diretor financeiro e de relações com o mercado da empresa, ao entrar em contato, ontem, com a Folha, para negar aumento de preço do produto. Bonagura contestou as afirmações do presidente da Associação dos Pequenos e Médios Misturadores do Paraná e Santa Catarina, Adailton Pereira de Araújo, de que o preço da uréia teria uma elevação de 30% já a partir da próxima semana.
Apesar da garantia de que os preços serão mantidos, Bonagura não quis revelar qual a tabela de preços praticada pela Ultrafértil. Ele afirmou que o preço é o mesmo para todos e que seus clientes conhecem perfeitamente a tabela. Ele disse que não quer expor o cliente e salientou que a Ultrafértil não tem o controle dos preços praticados pelas empresas misturadoras junto ao setor produtivo.
Bonagura disse que contestará judicialmente a afirmação de Araújo de que o acidente ocorrido na Ultrafértil, na semana passada, é uma tentativa da Fosfértil de elevar o preço da Uréia no mercado interno. A Ultrafértil já entrou com um processo contra Araújo na 10ª Vara Criminal de Curitiba. Araújo não retirou a afirmação de que ‘‘sempre quando os acidentes na Ultrafértil acontecem, os preços sobem atrelando a falta do produto, com a exigência na época do consumo’’. Mas retificou que ‘‘não é uma tentativa da Fosfértil de elevar o preço, e sim da Ultrafértil’’.
Bonagura considerou ainda infundada a afirmação de que a Ultrafértil está importando 100 mil toneladas de uréia. Nesse caso, Araújo retificou a informação de que não é a Ultrafértil que está importando, mas sim as duas maiores acionistas da empresa, que estão importando as 100 mil toneladas de uréia. Segundo Araújo, são as maiores importadoras do produto no Brasil. Segundo Bonagura, a Ultrafértil fez a última importação de uréia em julho, quando trouxe 30 mil toneladas do produto. Ele disse ainda que outras 8.000 t estão em trânsito para o País. ‘‘Obviamente a empresa já acionou o mercado internacional, esta semana, logo após o acidente de Araucária, para cumprir todos os contratos já firmados com os clientes’’, afirmou Bonagura.
Quanto à afirmação de Araújo, de que o sistema vigente controlado pela Fosfértil impede as pequenas e médias misturadoras de fazerem a importação diretamente, Bonagura considerou uma ‘‘aberração’’, argumentando que as empresas têm liberdade para importar a uréia. Na verdade, Araújo, disse que o ‘‘sistema exige uma prévia autorização para que os pequenos e médios misturadores possam importar’’.
Bônus Bonagura confirmou que a Ultrafértil introduziu um sistema de bônus, que dá desconto de 2% para os clientes fiéis. ‘‘Mas isso não impede as empresas misturadoras de fazerem a importação. Aliás, elas já importaram 100 mil toneladas de uréia este ano’’, disse. Segundo o diretor da Ultrafértil, em troco da bonificação a empresa pede ao cliente que, se houver a necessidade de importar matéria-prima, informe à Ultrafértil para saber se existe ou não a disponibilidade do produto no mercado interno. ‘‘Trata-se de uma troca, o desconto pela fidelidade. O efeito do bônus é que ele permite uma programação da empresa durante o ano’’, justificou.
Por fim, Bonagura não reconhece a informação de que a Fosfértil está procurando os pequenos e médios misturadores para serem distribuidores. Na verdade, Araújo se referiu às duas maiores acionistas do sistema Fosfértil (Manah e Serrana), que estão propondo comprar e arrendar o E.P.(Estabelecimento do Produto) dos pequenos e médios misturadores para que estes passem a distribuir seus produtos, com a marca do misturador.

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