Termina hoje o prazo para liberação de recursos do Funcafé para custeio da safra de café brasileira. O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou as instituições financeiras a destinarem R$ 49,5 milhões para financiar a produção, valor que corresponde a 33% dos R$ 150 milhões solicitados.
José de Mesquita Filho, superintendente adjunto do Banco do Brasil no Paraná, informou que as agências estaduais demandaram R$ 12 milhões, mas só receberão R$ 4 milhões. A verba alocada servirá para custear gastos com tratos culturais. ''Em breve haverá financiamento para a colheita e comercialização'', adiantou.
Além da redução no valor dos recursos, os cafeicultores enfrentaram atraso na liberação do financiamento. A resolução, autorizando o custeio da safra, saiu no dia 24 de outubro, mas o dinheiro chegou aos bancos apenas no dia 16 de dezembro. ''O produtor teve que procurar outras alternativas para adquirir insumos'', comentou o superintendente.
Em Londrina, muitos cafeicultores desistiram de pleitear o financiamento por causa da demora na liberação. Jefferson Marcos Vendrame, engenheiro agrônomo do Banco do Brasil na cidade, revelou que a demanda foi grande nos meses de setembro e outubro. Na época, porém, não havia dinheiro disponível, por isso muitos produtores buscaram outras alternativas para pagar os tratos culturais.
Ele disse ainda que o dinheiro está sendo destinado a clientes do banco com cadastro pronto e crédito aprovado. ''A verba deve ser usada para complementar a adubação e financiar a aplicação de fungicidas'', afirmou.
A cafeicultora Alessandra Garcia, de Sertanópolis (40 quilômetros ao norte de Londrina), vendeu o café que tinha estocado para conseguir custear a lavoura. Ela esperava obter o recurso do Funcafé até 30 de novembro, mas sua verba só será liberada hoje. Com o dinheiro, pretende saldar compromissos como a compra de insumos a prazo, reduzindo gastos com juros. ''O cafeicutor não pode parar'', ressaltou.
Em Cornélio Procópio, cafeicultores reclamam da dificuldade de acesso ao financiamento. ''O recurso é escasso e só vai atender parte da demanda'', avaliou Wilson Baggio, produtor de café e presidente do Sindicato Rural do município. ''É época de combater ferrugem, pragas e pagar os funcionários. A diminuição no volume de recursos resultará na redução dos tratos culturais e diminuição da produtividade da lavoura'', opinou.

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