Maringá A Universidade Estadual de Maringá (UEM) está elaborando projeto para solicitar o credenciamento de seus laboratórios de análises químicas junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP). A medida foi tomada ontem a pedido da Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal e Procon, que defendem uma fiscalização mais eficiente da qualidade dos combustíveis comercializados em Maringá e região.
Desde que descobriu indícios de adulteração do produto em Maringá, o Ministério Público vem batendo na tecla de que é necessário ampliar o monitoramento sobre os combustíveis na cidade. Segundo o promotor Maurício Kalache, que investiga um grupo de falsas distribuidoras, a ANP autuou apenas três postos que vendiam gasolina batizada entre os anos de 1999 e 2001.
Para Kalache, a adulteração de gasolina é antiga em Maringá, mas ninguém consegue resolver o problema porque não existe uma fiscalização efetiva. De acordo com o promotor, documentos apreendidos no final do mês passado mostrando como se faz 36 mil litros de gasolina batizada a partir de 5 mil litros do produto puro, apontam que a prática de crime contra a relação de consumo é expressiva no setor.
O credenciamento dos laboratórios da UEM iria suprir esta lacuna, acredita Kalache. ''Sabemos que a universidade possui estrutura científica e técnica para fazer o monitoramento da qualidade da gasolina, faltando somente alguns equipamentos específicos'', disse o promotor, após participar de uma reunião na reitoria da universidade.
A UEM diz que com investimentos de 100 mil dólares é possível equipar os laboratórios de Química para analisar gasolina, diesel e álcool. O projeto idealizado e que será apresentado à ANP tem capacidade para monitorar combustíveis em 700 postos de revenda da região noroeste.
Segundo o professor Adley Rubica, o único obstáculo é que a ANP exige uma infra-estrutura pronta para fazer o credenciamento e a universidade não possui recursos para atender esta exigência. O MP adiantou que o Ministério das Minas e Energias possui linha de crédito para financiar laboratórios do gênero.
Segundo o promotor Maurício Kalache, os investimentos necessários são ínfimos diante do volume de prejuízos provocados pela adulteração. ''A sonegação fiscal detectada no setor nas últimas semanas já passa dos R$ 100 milhões'', ressaltou.

mockup