UEL fecha acordo com o Ipea para cooperação técnica
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Pesquisas realizadas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) passarão a ser utilizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na produção de estudos que baseiam a formulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento do Governo Federal.
O convênio de cooperação técnica entre Ipea e UEL foi assinado ontem à noite em Londrina com presença do presidente do instituto, Márcio Pochmann. Pela manhã ele participou, em Curitiba, do seminário ''Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas'', realizado por Ipea e Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
O convênio com a UEL faz parte de uma política adotada nos últimos quatro anos que prevê a cooperação técnica entre Ipea e diferentes instituições de pesquisa, universidades e instituições de pós-graduação. ''Estamos preocupados em conectar diferentes produções de conhecimento sobre o desenvolvimento brasileiro'', enfatizou Pochmann.
Segundo ele, o objetivo é melhorar as avaliações sobre as políticas públicas e, ao mesmo tempo, planejá-las a partir de diferentes realidades regionais. As áreas de ciências humanas e estudos econômicos são as que apresentam maior possibilidade de colaborar, mas os temas de referência ainda não foram definidos.
Pochmann avaliou que o maior desafio dos governos do Brasil, dos estados e municípios é a superação do padrão de desigualdade social no País. O programa Brasil Sem Miséria identificou que 16 milhões de pessoas ainda sobrevivem com menos de R$ 70 mensais, na chamada situação de pobreza extrema. ''Hoje sabemos onde estão estas pessoas. Agora vamos começar a acompanhar os motivos que levaram alguns estados e municípios a reduzirem o problema'', exemplificou.
O presidente do Instituto lembrou que o Brasil vem apresentando uma interessante combinação entre expansão econômica e avanço social. Segundo ele, nos anos 80, o País era a oitava economia do mundo, mas passou para a 14º posição em 2000. Hoje, ocupa o sétimo lugar e possivelmente estará entre as cinco principais economias mundiais em 2015.
''Simultaneamente ao crescimento, há toda uma possibilidade de superar mazelas do passado, como pobreza extrema, analfabetismo, altas taxas de mortalidade infantil, violência e desiguladade social. São 26 anos de regime democrático que têm permitido, na construção das políticas públicas, olhar a população mais vulnerável'', analisa.
Sobre o desenvolvimento econômico do País, Pochmann ressalta que o setor produtivo caminha para vencer a desigualdade no desenvolvimento das diferentes regiões brasileiras. ''Enquanto o Centro-Sul soube aproveitar melhor o ciclo de expansão industrial de 1930 a 1980, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram maior dinamismo na primeira década do século XXI. Entretanto, o período para superar as desiguladades ainda é grande.''


