Criado em 2010, o Escritório de Transferência de Tecnologia (ETT), da Agência de Inovação Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Aintec), começa a render seus primeiros frutos. O ETT está buscando parceiros privados para desenvolver produtos de pesquisas feitas na instituição, que estão em processo de patenteamento. Entre eles, um antibiótico e uma bolsa para lavagem de sangue.
Coordenadora do ETT, Tatiana Fiuza diz que já foram depositadas 69 patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Destas, 50 estão em fase de transferência de tecnologia à iniciativa privada. Ela explica que, a partir do momento do depósito, o Inpi define um período de sigilo de 18 meses. Depois disso, as patentes já podem ser negociadas – o processo todo pode levar oito anos. Em 2013, o escritório fez 19 novos depósitos, que se encontram em sigilo no momento.
"Quando passam os 18 meses, a gente monta um sumário executivo e começa a fazer a prospecção no mercado", explica a coordenadora. Segundo ela, o primeiro passo é procurar as associações de fabricantes, de acordo com a área do produto. "Também contamos com a ajuda do Senai, que, por meio do programa Rotas Estratégicas, traz a indústria para dentro da academia para conhecer projetos e viabilizá-los comercialmente", conta.

Produtos
O professor do Departamento de Microbiologia da UEL Galdino Andrade coordena a pesquisa do antibiótico produzido a partir da bactéria Pseudomonas aeruginosa, que está em fase de transferência de tecnologia. Ele explica que, com base na pesquisa, o ETT busca parceiros privados para dois produtos: um para o tratamento de pragas como o cancro cítrico e outro para uso humano.
"Estamos há dez anos investigando as moléculas desta bactéria. Em nossos testes em laboratório, o antibiótico que desenvolvemos foi capaz de matar a KPC", afirma ele, citando a bactéria que, em 2010, causou pânico em Londrina e provocou o fechamento da UTI do Hospital Universitário. De acordo com ele, o antibiótico tem efeito sobre a maioria das bactérias gram negativas.
Na área agrícola, o antibiótico produzido a partir da bactéria é capaz, de acordo com ele, de combater, além do cancro cítrico, outras pragas que atingem produtos como a soja, o pêssego e o tomate. "Não há no mercado hoje nenhum produto eficiente para plantas produzidos a partir de bactérias. Entendo que há bastante viabilidade econômica", ressalta.
A bioquímica do Hemocentro do Hospital Universitário (HU) Adriana Spinosa também é inventora de um produto em fase de transferência de tecnologia. Trata-se de uma bolsa para lavagem de sangue. Ela explica que o sangue a ser usado em paciente alérgico precisa ser lavado antes em solução fisiológica. "A gente coloca o sangue na centrífuga e depois retira o soro com impurezas. Esse processo é feito três vezes", conta.
O problema, de acordo com ela, é que o processo utilizado hoje não é estéril e, portanto, há risco de contaminação. A bolsa inventada por Adriana permite a transferência estéril do sangue para a lavagem. "Não existe abertura da bolsa", garante.

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