Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) pode ter prejuízos avaliados em R$ 80 milhões por mês se o contratos firmados com a Companhia de Interconexão Energética (Cien) e com a Usina Termelétrica de Araucária (UEG) não forem cancelados. O alerta é do engenheiro Ivo Pugnaloni, indicado para ocupar o cargo de diretor da estatal na gestão do governador eleito Roberto Requião (PMDB).
A estatal paranaense mantém contratos em dólar para compra de energia dessas duas companhias. A Cien é uma empresa de energia argentina, subsidiária da espanhola Endesa. A UEG é resultado de uma sociedade entre a multinacional americana El Paso, a Copel e a Petrobras, sendo que a maior acionista é a El Paso. Comenta-se no mercado que o prejuízo que a estatal registrou até o mês de setembro, corresponde aos contratos firmados com essas empresas.
Em carta endereçada ao governador eleito, Pugnaloni disse que esses dois contratos preocupa pelo elevado valor dos contratos. Eles exigem um desembolso superior a R$ 110 milhões por mês ou R$ 3,6 milhões por dia. Apesar deles não terem sido homologados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os valores firmados nos contratos com a Cien estão sendo pagos desde agosto. Com a UEG o pagamento vem sendo efetuado desde outubro.
Segundo Pugnaloni, a Copel terá prejuízo caso venda a energia comprada dessas empresas, considerando os valores do mercado. A energia liquidada no Mercado Atacadista de Energia (MAE) está sendo negociada a preços inferiores a R$ 10,00 o megawatt/hora. E de acordo com os contratos firmados, a companhia paranaense paga US$ 29 o mgw/h para a Cien, e US$ 42 o mgw/h para a UEG.
O engenheiro disse que essa energia pode até ser vendida em leilões, mas o déficit para a estatal continua porque os preços da energia nos leilões realizados até agora estão baixos. No leilão das geradoras federais realizado em 19 de setembro, o preço médio da energia foi R$ 50,00 o mgw/h. No leilão das Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp), que foi suspenso em função de medida liminar, o preço médio da energia é inferior a R$ 30,00 o mgw/h para o contrato de um ano e R$ 45,00 o mgw/h para o contrato de dois anos.

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