UE vai exigir atestado 'antitransgênico'
Vânia Casado
De Curitiba
A desconfiança de plantio ilegal de soja transgênica no Rio Grande do Sul, na safra 99/2000, levou empresas da União Européia (UE) que importam frango do Brasil, a exigir um certificado de que as aves não foram alimentadas com farelo de soja, oriundo de organismos geneticamente modificados. A Frangosul, de Porto Alegre, já foi comunicada por um de seus clientes europeus, que vai exigir a certificação a partir do ano que vem, quando deverá entrar em vigor a nova legislação sobre produtos transgênicos na CE.
Preocupado com essa tendência, o presidente da Frangosul, José Augusto Lima de Sá, foi pedir providências ao secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José H. Hoffman. O empresário quer uma garantia do Estado de que a soja utilizada na fabricação do farelo não é oriunda de plantio com sementes transgênicas. Para Lima de Sá, a situação é preocupante porque as indústrias não podem comprometer as exportações para a Europa. A Frangosul exporta 100 mil t de frango/ano entre os mercados da Europa, Oriente Médio e Ásia, com um faturamento de US$ 120 milhões por ano. A empesa compra 650 t de farelo de soja por dia de indústrias gaúchas e, eventualmente, paranaenses.
O Rio Grande do Sul plantou 3,13 milhões de ha de soja na safra passada, que renderam 4,75 milhões de t. Muitos municípios estão dispostos a liberar o plantio de soja transgênica na safra 99/2000, apesar de a lei federal proibir a atividade em todo o território nacional. O assunto está parado na Justiça.
Lima de Sá disse que está preocupado com a manutenção dos clientes na Europa e que não tem opinião formada sobre a conveniência ou não do plantio de organismos modificados. Ele acha que o assunto evoluiu rapidamente sem ser devidamente acompanhado pela pesquisa científica.
Avipar preocupada No Paraná, o assunto também está preocupando os exportadores de frango. O presidente da Associação dos Abatedouros de Aves do Paraná (Avipar), Paulo Muniz, manifestou inquietação em relação ao comportamento dos países europeus. O empresário disse que a exigência do certificado representa mais uma barreira não tarifária aos produtos brasileiros. Apesar disso, temos de trabalhar em sintonia com as empresas européias porque são nossos clientes, disse.
Das 30 mil t de carne de frango que o Paraná exportou no trimestre julho a setembro desse ano, 1.500 t foram para a Europa, que rendeu um faturamento de US$ 2,1 milhões. Um bom mercado. Daí a necessidade de o governo do estado se estruturar para emitir esse certificado, para que não pairem dúvidas sobre a qualidade do frango produzido aqui, disse Muniz.





