O Comitê Veterinário da União Européia informou ontem ao ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que irá retomar as importações de carne bovina ‘‘in natura’’ do Rio Grande do Sul 30 dias depois do encerramento da primeira etapa da vacinação no rebanho gaúcho, iniciada na semana passada. A União Européia também informou ao ministro que as carnes que estão aguardando embarque nos portos ou estão em trânsito para o continente europeu não serão prejudicadas, desde que possuam certificação sanitária anterior ao dia 9 deste mês, data em que foram confirmados oficialmente os dois focos de aftosa nos municípios de Santana de Livramento e Alegrete.
‘‘Após a aplicação da primeira dose de vacina, a União Européia voltará a emitir a certificação sanitária para a carne gaúcha’’, informou Pratini de Moraes. O impacto do embargo europeu sobre a carne produzida no Rio Grande do Sul é significativo, segundo o ministro. No ano passado o Estado exportou US$ 100 milhões em carnes, sendo a maior parte para União Européia e o Chile.
Esse último, por sua vez, mantém embargadas as importações até que sejam enviadas informações completas sobre o controle da aftosa em território gaúcho. Pratini disse que as exportações de carnes suínas do País para a Rússia também continuam suspensas. Na próxima segunda-feira uma missão técnica do Ministério da Agricultura estará reunida com as autoridades sanitárias russas para explicar que não há risco de contaminação pela aftosa nesse tipo de produto.
Pratini esteve reunido pela manhã com representantes de frigoríficos do Rio Grande do Sul que buscavam informações sobre o embargo imposto às importações do setor, especialmente com relação as exportações de carne suína. Ele também anunciou que o Ministério da Agricultura irá doar entre oito a 10 milhões de doses de vacinas para os pequenos agricultores do Rio Grande do Sul.
O Ministério da Agricultura já havia doado 4,5 milhões de doses ao Estado na semana passada. Pratini explicou que as vacinas que serão doadas agora cobrirão a primeira e a segunda dose (feita 21 dias após a primeira) de vacinação dos animais pertencentes aos pequenos produtores.
O ministro afirmou ainda que o ministério possui R$ 5 milhões em seu orçamento que poderão ser utilizados para indenizar os pecuaristas que venham a ter animais sacrificados por estarem contaminados com a aftosa. Na primeira etapa, deverão ser sacrificados cerca de 30 animais, localizados em propriedades de Santana do Livramento e de Alegrete. Mas há a suspeita de mais dois focos da doença em Alegrete.
Sobre o anúncio do governo do Rio Grande do Sul de que, finalmente, iria sacrificar os animais infectados pela aftosa, o ministro se limitou a dizer que ‘‘eles estão apenas cumprindo a lei. É bom cumprir a lei’’, observou.

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