UE quer criar barreira técnica ao frango do Brasil
Brasília O aumento das vendas externas de frango está incomodando o concorrente europeu. Depois de ameaçar taxar as exportações brasileiras do produto em 75%, a União Européia, agora, quer aumentar significativamente o teor de sal dos cortes de peito exportados pelas empresas brasileiras, o que inviabilizaria totalmente as vendas. A informação foi dada ontem pelo diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas Exportadoras de Frango (Abef), Cláudio Martins.
A proposta inicial enviada pelo comissário de Agricultura da União Européia, Silva Rodrigues, aos países-membros, segundo Martins, era de aumentar o imposto de importação dos atuais 15,4% para 75% para esse tipo de produto. A União Européia desistiu, no entanto, dessa proposta por ferir frontalmente as regras do acordo agrícola da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Agora, a UE quer criar uma barreira técnica à entrada do frango brasileiro, aumentando o teor de sal dos cortes de peito exportados pelas empresas brasileiras, que hoje varia entre 1,2% a 1,5%, para um percentual acima de 1,9%. Com isso, o produto não poderia ser utilizado para fins industriais, o que praticamente acabaria com as exportações de frango.
Cancelamento O governo ainda não foi notificado formalmente pela União Européia sobre a aplicação dessa medida. No entanto, por já ter tomado conhecimento da retaliação, a direção da Abef cancelou uma reunião que teria hoje com o comissário para Agricultura da UE, Silva Rodrigues, em Bruxelas (Bélgica).
Nessa reunião, os empresários brasileiros iriam apresentar uma contraproposta para que o mercado europeu não fosse fechado às empresas locais. Entre as medidas a serem apresentadas, estava uma possível redução dos volumes exportados, desde que países como a Tailândia, com forte presença no mercado europeu de carne de frango, também fossem incluídos.
Ao tomar conhecimento de que a UE já teria decidido aumentar o teor de sal para suas importações de peito de frango do Brasil, a Abef cancelou o encontro. Não tínhamos mais nada a a fazer lá. Agora estamos aguardando o comunicado para avaliar como o setor privado, juntamente com o governo, irá lutar contra essa barreira técnica, disse Martins.





