UE pode negociar abertura agrícola com Mercosul
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quarta-feira, 12 de novembro de 2003
Agência Estado 
Brasília A União Européia (UE) deverá finalmente tocar na parcela mais sensível do capítulo agrícola nas negociações sobre o livre comércio com o Mercosul. Na reunião ministerial dos dois blocos, que ocorre hoje em Bruxelas, os negociadores da UE devem concordar com o acesso ao mercado europeu de produtos do setor que, até o momento, estavam praticamente excluídos das discussões.
O novo embaixador da UE no Brasil, Alberto Navarro, disse que a contrapartida do Mercosul será concordar com o fato de que essas concessões estarão contidas na oferta que o bloco europeu fará sobre os mesmos tópicos nas negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).
''A agricultura não é nenhum tabu. Mas não queremos oferecer duas vezes uma mesma concessão ao Mercosul nem tocar na questão dos subsídios agrícolas fora da OMC'', afirmou Navarro, que apresentará hoje suas credenciais de representante da delegação da UE no Brasil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na prática, os negociadores europeus pretendem evitar que o grau de abertura agrícola que estarão dispostos a aceitar, no âmbito da OMC, seja extrapolado por concessões adicionais ao Mercosul. Como exemplificou o embaixador, para a UE concordar com uma cota adicional de 100 mil toneladas de carne bovina para os produtores do Mercosul nas negociações birregionais, deverá antes ter a certeza de que esse volume estará contido na cota global de 300 mil toneladas do mesmo produto que oferecerá nas discussões da Rodada Doha.
O Mercosul pedira à UE que revisse as condições de acesso de 2.800 itens. A maior parte dessa lista era composta por produtos agrícolas de especial interesse do Brasil que estavam ausentes da oferta inicial européia - carnes, pescados, lácteos, hortaliças, cereais, frutas, farinhas, conservas etc.


