UE pode comprar soja convencional do Paraná
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quarta-feira, 31 de agosto de 2005
Reportagem Local 
Curitiba Entre os dias 17 e 23 de outubro, uma comitiva da União Européia (UE) visitará o Paraná para analisar o potencial de oferta de soja convencional. A delegação, formada de autoridades, empresários e dirigentes de cooperativas de 35 regiões européias livres de transgênicos, será liderada pelo vice-presidente do Conselho Regional da Bretanha, Pascale Loget, que já esteve no Paraná, onde firmou acordo com o governador Roberto Requião (PMDB). Segundo Loget, os europeus querem conhecer os mecanismos de produção e comercialização de soja não-transgênica do Paraná. As informações são da Agência Estadual de Londrina.
Para discutir a possibilidade do Paraná ofertar a soja convencional a países da UE, técnicos da Secretaria da Agricultura, do Departamento de Estudos Sócio-econômicos Rurais (Deser), representantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul/CUT) e a deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) reuniram-se anteontem em Curitiba. Os técnicos discutiram questões relacionadas à certificação da cadeia de soja pura, a rastreabilidade e a segregação.
Entre os assuntos, foi questionado como garantir que o produtor paranaense continue a produzir soja convencional, já que foi liberado o plantio de soja transgênica no Brasil, sem critérios de biossegurança definidos.
O engenheiro agrônomo da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal (DDSV), Marcelo Silva, responsável pela fiscalização de transgênicos no Paraná, afirmou que a vinda da comitiva européia demonstra a crescente rejeição no mercado mundial por produtos geneticamente modificados. ''É justamente para atender toda essa demanda que o Paraná defende a soja convencional'', lembrou. Segundo Silva, o governo do Estado garante o fornecimento de sementes de soja convencional a todos aqueles produtores interessados em cultivar um produto livre de transgenia.
Mercado De olho no mercado, o Governo do Paraná vai continuar incentivando o plantio de soja convencional. Em decorrência da liberação do plantio de soja transgênica no País há a tendência de que diminua a oferta de sementes convencionais. Assim, os preços pagos pelo produto não-transgênico tendem a subir. ''Por isso, o Estado oferece o insumo mais básico de toda a certificação da cadeia de soja pura: as sementes convencionais'', lembrou Silva.
Nesta safra, o Paraná garante a oferta de 4,2 milhões de sacas de 50 quilos de sementes de soja convencional. ''O suficiente para cultivar toda a área do Estado destinada à cultura'', disse o engenheiro agrônomo. Segundo ele, tradicionalmente, no Rio Grande do Sul, a produção de sementes de soja convencional era de quatro milhões de sacas por ano. ''Hoje, não chega a 8% disso'', comentou.


