UE perde mercado se Mercosul fechar com Alca
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quarta-feira, 02 de abril de 2003
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra - Se as negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) forem concluídas antes das negociações para o estabelecimento de um bloco comercial entre o Mercosul e a União Européia (UE), os exportadores europeus perderão cerca de um terço da fatia de mercado que hoje possuem no Brasil e na Argentina. A avaliação é de economistas do governo de Eduardo Duhalde, que apontam que parte importante dos produtos europeus seriam substituídos por bens americanos, que entrariam nos mercados do Mercosul sem qualquer tarifa.
O estudo foi apresentado pela Argentina há algumas semanas ao comissário de Comércio da UE, Pascal Lamy, para convencê-lo de que a Europa precisa acelerar as negociações com o Mercosul para a formação do bloco ''birregional'' se não quiser ter prejuízos comerciais no futuro.
Atualmente, os europeus representam praticamente 30% das importações brasileiras. Com o estabelecimento de um acordo nas Américas, a fatia das empresas da UE passaria a ser de apenas 20% de tudo o que o Brasil importa. O mesmo prejuízo seria observado no mercado argentino.
A mensagem de Buenos Aires promete ter repercussões na Europa, principalmente diante da experiência de Bruxelas com a criação do Área de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), envolvendo Estados Unidos, Canadá e México. Diante do acordo, a UE foi praticamente deslocada do mercado mexicano pelos produtos americanos e canadenses, que passaram a entrar sem a cobrança de tarifas. Bruxelas foi obrigada a preparar um acordo de emergência com o México para tentar evitar maiores perdas.
Jogo Duplo - Mas os argentinos não estão fazendo o alerta apenas aos europeus. Buenos Aires está explicando aos Estados Unidos que, se não fizerem um acordo rápido com o resto das Américas, perderão espaço para os produtos europeus. ''Eu vou começar a me preocupar com isso quando o Mercosul e a UE estiverem assinando um acordo comercial. Por enquanto, não vou perder o sono por causa disso'', afirmou Peter Allgeier, negociador chefe da Casa Branca para a Alca.


