UE não se entendem nas decisões sobre vaca louca
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sábado, 09 de dezembro de 2000
Anna Cuenca France Presse 
Os 15 chefes de Estado e de Governo da UE tiveram ontem pela manhã em Nice (sudeste da França) as primeiras divergências graves e, para não atrasar a negociação sobre a reforma, optaram por ceder, França em matéria de defesa e Alemanha na vaca louca.
Depois de uma polêmica na véspera entre o presidente francês Jacques Chirac e o premier britânico Tony Blair sobre defesa, Paris teve que ceder às objeções de Londres a respeito da independência de uma força militar européia em relação à Otan.
No projeto de conclusões apresentado pela França se afirmava que a UE disporá de uma capacidade autônoma de tomar decisões e, onde a Otan não atuar, de lançar e conduzir operações de gestão de crises.
Simplificamos os parágrafos originais sobre a defesa européia a pedido do premier britânico, ao qual a presidência francesa acedeu de bom grado, disse numa coletiva Pierre Moscovici, ministro francês dos assuntos europeus.
Creio que foi uma sábia decisão, que evitou uma querela semântica que poderia ser contraproducente, acrescentou, precisando que os Quinze preferem concentrar os esforços na reforma das instituições.
Também a Alemanha, que pressionava desde quinta-feira para que a UE
aprovasse uma proibição permanente da farinha de origem animal como alimento para todo o gado, teve que ceder.
Os Quinze não quiseram ir mais longe nas medidas para lutar contra a doença da vaca louca e se limitaram a aprovar as decisões tomadas segunda-feira passada em Bruxelas pelos ministros europeus da agricultura.
Estas medidas consistem na suspensão durante seis meses da farinha de origem animal como alimento para todo o gado europeu e o sacrifício das vacas maiores de 30 meses que não tenham sido submetidas à análise da doença.
Não houve uma oposição em princípio a se ir mais longe, disse entretanto Moscovici.O chanceler alemão Gerhard Schroeder tinha afirmado quinta-feira que todos os líderes europeus tinham acordado pedir à Comissão Européia medidas mais duras contra a doença da vaca louca.
Os Quinze aprovaram esta sexta-feira a criação da Autoridade Européia de Segurança Alimentar, com o objetivo de restabelecer a confiança dos consumidores após a crise da carne bovina. Esta agência sanitária será operacional no início de 2002, precisou Moscovici.
Por outro lado, os líderes europeus adotaram nesta sexta-feira a agenda social européia, uma lista de grandes temas sociais que a UE se compromete a analisar nos próximos cinco anos para responder às expectativas dos cidadãos.
Os Quinze reiteraram também sua vontade de aceitar alguns dos países candidatos à adesão a partir de 1 de janeiro de 2003 na medida em que estes estejam preparados e com o objetivo de que alguns deles possam participar das eleições ao parlamento europeu de 2004.


