São Paulo - O fim do embargo da União Européia à importação da carne brasileira proveniente de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná pode estar mais longe que o previsto inicialmente. Relatório da visita de técnicos sanitários europeus realizada em janeiro nas regiões afetadas pela aftosa em Mato Grosso do Sul e no Paraná indicou que, ''enquanto o Brasil alcançou alguns progressos consideráveis na área de rastreabilidade desde a última visita da União Européia, melhorias importantes em outras áreas ainda são necessárias'', principalmente nas questões de certificação, vacinação e vigilância sanitária.
Em vez do fim do embargo, principalmente para o Estado de São Paulo, onde a aftosa não foi encontrada, a União Européia optou por aumentar o controle de certificações para a carne exportada para aquele mercado. Segundo o representante comercial da Delegação da Comissão Européia no Brasil, as decisões tomadas até o momento têm como foco apenas a certificação, e não o âmbito geográfico.
Ao mesmo tempo em que aumenta o controle sobre a documentação exigida para os embarques brasileiros quatro meses após o foco, a União Européia adota restrições muito mais amenas para o foco encontrado na Argentina. Ao contrário do embargo brasileiro, que envolve três importantes Estados produtores, o embargo à Argentina se limitou aos departamentos ao redor do foco na província de Corrientes.
''Muita gente prefere dizer que a decisão é fruto de protecionismo ou de implicância com o Brasil, mas a decisão da União Européia demonstra claramente a falta de credibilidade existente hoje nas ações de defesa sanitária no País'', declara Pedro Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), pecuarista e ex-secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura.
Na opinião de Camargo, caso o Brasil tivesse seguido as normas e os procedimentos internacionais no combate à aftosa, os embargos já estariam sendo revistos. ''Quatro meses depois do foco, a questão do Paraná ainda não está resolvida nem os animais foram abatidos, enquanto na Argentina os animais já foram abatidos, a área isolada e todos os procedimentos feitos em dias. Isto é uma vergonha para o Brasil.''

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