UE duvida da eficiência do plano de Duhalde
As reformas econômicas adotadas pela Argentina são insuficientes para combater a crise, na opinião da União Européia (UE). Essa e outras críticas foram formuladas em um documento interno da Comissão Européia, no qual se questiona a falta de elementos-chave para a credibilidade do plano do presidente do país, Eduardo Duhalde. Persistem sérias dúvidas de que (as reformas) sejam suficientes para acalmar a situação, diz o documento.
Ele foi escrito por três dos principais comissários da organização européia: Pascal Lamy, do Comércio, Chris Patten, das Relações Exteriores e Pedro Solbes, dos Assuntos Econômicos.
Os comissários apontaram diversos fatores que garantiriam a credibilidade do plano argentino, exatamente o que, na opinião deles, falta ao programa de Duhalde. A Argentina precisa de medidas fiscais concretas, uma clara redefinição do papel e dos objetivos do banco central e um esquema razoável para manter a confiança no setor bancário, diz o documento.
Os europeus também criticaram outros pontos do programa argentino. Eles afirmaram estar preocupados com o sistema de câmbio duplo, a suspensão no pagamento da dívida externa, a violação das taxas de alguns contratos privados e a possível introdução de restrições ao comércio com o exterior.
Para eles, a desvalorização do peso poderia aumentar as restrições aos saques de depósitos bancários. Não está claro que a intenção do governo de repesificar a economia terá êxito, dizem no relatório. No mesmo documento, os comissários afirmam que a UE se compromete a prestar ajuda à Argentina se ela se propuser a apresentar um plano compatível com os acordos com o FMI.
A respeito do impacto da crise argentina na UE, a preocupação dos comissários não é grande. Como a Argentina representa uma pequena parte das exportações da UE, não se espera que a crise tenha um efeito amplo na economia européia.





