A União Européia (UE) deverá divulgar hoje os produtos afetados pelas salvaguardas que o bloco estabelecerá no setor siderúrgico. A medida tem como objetivo conter a importação do aço que, diante das barreiras criadas nos Estados Unidos no início do mês, seriam desviados para o mercado europeu.
A medida da UE deve afetar as exportações de aço do Brasil, principalmente de produtos acabados. Mas segundo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Itamaraty terá o direito de pedir compensações pelos prejuízos que terá com o protecionismo europeu.
Para que o Brasil consiga as compensações, porém, terá que solicitar consultas com os europeus nos próximos 90 dias. Durante esse período, as partes devem estabelecer o valor e os produtos exportados pelo Brasil que poderiam receber um tratamento preferencial no mercado europeu.
Apesar das declarações do governo brasileiro de que irá combater as barreiras ao aço, o País sequer usou seu direito de pedir compensações aos norte-americanos pelas barreiras estabelecidas ao aço no início do mês. O Itamaraty, ao contrário do que fizeram os europeus e japoneses, preferiu apenas solicitar que um entedimento fosse encontrado dentro do próprio setor siderúgico.
No caso das barreiras européias, a esperança dos diplomatas brasileiros é de que a UE confirme a exclusão de produtos semi-acabados da lista dos itens que serão sobretaxados. No ano passado, o País exportou US$ 370 milhões em aço para a UE, sendo que mais de US$ 200 milhões foram de produtos semi-acabados.
Pelas estimativas da UE, que por duas vezes já adiou o anúncio das salvaguardas, as barreiras podem já entrar em vigor ainda nesta semana, na forma de cotas de 17 milhões de toneladas e com a validade de seis meses.

mockup