O avanço da formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) serviu como argumento para o Mercosul convencer a União Européia (UE) a aprofundar o processo de associação comercial entre os dois blocos. Embora o início das discussões para a redução de tarifas, inclusive de produtos agrícolas, tenha sido confirmado para julho de 2001, os europeus concordaram em começar a fixar os objetivos de cada área de negociação.
Com isso, em março do ano que vem o processo de integração Mercosul-UE alcança o estágio em que se encontra atualmente a Alca, cujas discussões começaram em 1994, mas os objetivos só foram definidos este ano.
Embora o chefe da missão européia, Guy Legras, tenha afirmado ontem que a Europa não está negociando com o Mercosul por causa da Alca, diplomatas brasileiros disseram que o argumento Alca sempre foi utilizado com os europeus e o próprio comissário para Relações Externas, Christopher Patten, admitiu, na quarta-feira, que a Alca ‘‘causa um efeito psicológico’’ e influencia decisões sobre investimentos e comércio.
Ele também admitiu que a adesão do México ao Nafta, acordo de livre comércio que inclui Estados Unidos e Canadá, influenciou a aceleração do acordo da UE com esse país porque os europeus perderam mercado no México, que intensificou suas relações comerciais no Nafta.
Apesar do avanço nas negociações, conforme o Itamaraty, ainda persiste a indefinição com relação ao comprometimento da UE em começar a negociar o setor agrícola em julho de 2001. Isso porque os europeus querem levar o tema primeiro à Organização Mundial do Comércio (OMC) e esperam fazer isso no começo do ano que vem. ‘‘Não se pode prever o que vai acontecer na OMC, mas não acredito que uma falha na OMC possa comprometer as negociações com o Mercosul’’, disse Legras.
Durante a terceira rodada de negociações entre Mercosul e União Européia, que terminou ontem, os dois blocos começaram a produzir textos definindo os objetivos das negociações em várias áreas, como tarifas e medida não-tarifárias, agricultura, defesa comercial, regras de origem, serviços, movimento de capitiais, investimentos, compras governamentais, entre outros.
Negociadores dos dois blocos voltam a reunir-se em março do ano que vem, em Bruxelas, para trocar esses documentos. Apesar do progresso, os acordos de cada setor só entram em vigor quando todos os pontos, inclusive o tema agrícola, estiver acertado, o que está previsto para ocorrer até 2005.

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