UE amplia proposta para Mercosul
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terça-feira, 10 de agosto de 2004
Agência Estado 
Brasília - Os negociadores da União Européia (UE) apresentaram ontem aos representantes do Mercosul, no primeiro dia da nova rodada de discussões sobre o acordo de livre comércio entre os dois blocos, uma nova proposta para ampliar o acesso de carne bovina ao mercado europeu. O impasse em torno deste tópico, em especial, havia levado o Mercosul a suspender a reunião anterior, há cerca de 20 dias, em Bruxelas. Em contrapartida, o diretor-geral do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, embaixador Régis Arslanian, anunciou a possibilidade de o Brasil flexibilizar sua posição sobre as compras do governo federal - uma das demandas mais insistentes da União Européia e um dos tópicos de maior resistência do governo brasileiro.
''Houve melhoria na proposta européia sobre a cota para carne bovina. Era o que, desde o início, a gente pensou em obter'', afirmou Arslanian, ao final do primeiro dia de negociação com os europeus. ''Estamos pensando em dar preferência às companhias européias em compras governamentais em relação terceiros mercados, como Japão, Estados Unidos e China. Mas a nossa prioridade continuará a ser as empresas do Mercosul.''
O chefe da delegação européia, Karl Falkenberg, apresentou uma proposta específica para as exportações de 280 mil toneladas anuais de carne bovina do Mercosul para a União Européia, que ingressariam nesse mercado com tarifa de importação de 10%. Esse volume se distribui da seguinte forma: o total atualmente embarcado por meio da chamada Cota Hilton e outras definidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), de 125 mil toneladas, terá sua tarifa reduzida de 20% para 10%; as atuais exportações fora dessas cotas, hoje de 56 mil toneladas, terão uma queda nas alíquotas de cerca de 150% para 10%; uma cota adicional de 116 mil toneladas estaria sujeita também a uma tarifa de 10%.


