Clóvis Rossi
Agência Folha
O comissário europeu para o Comércio, o francês Pascal Lamy, anuncia um primeiro e positivo resultado da Conferência de Seattle, antes mesmo de sua abertura: um esboço de acordo pelo qual os países mais pobres se beneficiarão de tarifa zero de importação. Pode ser um balão de ensaio. De qualquer, um aposição que atenua o pessimismo dos últimos dias.
Taís países, na verdade muito pobres, formam um bloco de 48 nações, que, embora tenham no total 600 milhões de habitantes, exportam 0,4% do total mundial.
Sua principal reivindicação para Seattle era exatamente a de ter acesso
livre ao mercado dos países desenvolvidos.
A União Européia já concede tratamento privilegiado às importações deles provenientes, mas as vantagens só deveriam durar até fevereiro. Na prática, o que Lamy está anunciando é uma extensão permanente dos benefícios.
Segundo o funcionário europeu, falta apenas negociar detalhes para que EUA e Japão somem-se à iniciativa. O Canadá também está estudando a adesão,
mas com mais dúvidas.
A informação de Lamy parece fazer parte de uma estratégia dos países ricos de fatiarem de alguma maneira a reunião de Seattle, de tal forma que seja possível anunciar, a cada dia, um passo adiante, para impedir que a reunião seja rotulada de fracasso.
São tantas e de tão diferentes tipos as divergências entre os 135
países-membros da OMC que o risco de um fracasso é grande. Os norte-americanos esperam poder anunciar pelo menos dois pontos, para
idêntica tentativa de cantar sucesso mesmo que ele não ocorra: um é a
extensão da moratória já vigente na cobrança de impostos sobre comércio
eletrônico. O outro é um acordo sobre transparência no mecanismo de
compras governamentais.
Significa dar mais clareza às regras sobre concorrências públicas em todos os níveis de governo. Mas não dará a concorrentes estrangeiros o mesmo
tratamento das firmas locais.
Se todos esses pontos - e outros que possam vir a ser acertados - puderem
mesmo ser anunciados, ‘‘cria-se ambiente favorável para a nova Rodada, diz Charlene Barshefsky, que comanda o comércio internacional dos EUA.

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