UDR tenta alavancar CPI distribuindo carne
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Pecuaristas paulistas, paranaenses e sul-matogrossenses vão realizar na próxima segunda-feira, em Presidente Prudente (SP), um ato público contra o que qualificam de ''situação caótica'' vivida atualmente pelo criador brasileiro. A União Democrática Ruralista (UDR) quer, com isso, pressionar a Câmara Federal para agilizar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com a finalidade de apurar a formação de cartel envolvendo os principais frigoríficos do País.
Em Prudente, os pecuaristas vão distribuir carne ''in natura'' para 10 mil famílias carentes como forma de denunciar os preços a que estão submetidos. Em visita ontem ao conselheiro da Folha, José Eduardo de Andrade Vieira, o presidente da UDR, Luiz Antônio Naban Garcia, apontou que o produtor hoje está refém ''do cartel formado por cinco ou seis grandes frigoríficos que manipulam o mercado da carne''. Uma CPI, continuou, é necessária para investigar, além da cartelização, a interferência política exercida sobre esse mercado e para identificar quem são os sonegadores de impostos, porque como destacou Naban, o dono de um dos maiores frigoríficos do país teria dito em entrevista que nunca ganhou tanto dinheiro como agora, mesmo em plena crise da aftosa e da consequente retração das exportações.
De acordo com Naban, o preço da arroba do boi hoje entre os compradores do Sudeste e Centro-Oeste é de R$ 47,00, ou apenas R$ 3,20 por quilo de carne, já que o produtor não é remunerado pela venda dos subprodutos como o couro, por exemplo. Esse valor, criticou o presidente da UDR, é muito abaixo daquele praticado há três anos, quando a cotação da arroba bateu os R$ 60,00 na média. Naban lembrou que neste tempo houve um aumento de produção da ordem de 180%. De outra parte, o preço ao consumidor final continua elevado.
Para o ato em Presidente Prudente, ponto estratégico por fazer a ligação entre produtores de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, a UDR convidou também deputados integrantes da Comissão de Agricultura da Câmara Federal, o presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Edson Neme, e da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneghetti. A asssessoria do presidente da Faep adiantou que ele não vai engrossar o ato da UDR. Já a assessoria de Neme informou que a ida dele ao ato dependerá da confirmação ou não de novos focos de aftosa no Paraná.


