TV e computador em desuso: saiba o que fazer
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Laila Menechino<br>Especial para a FOLHA 
Consumidores, fiquem atentos. O perigo está escondido no interior da tela de computador e da televisão. Enquanto os equipamentos eletrônicos estão em pleno funcionamento, não há risco algum. Mas e quando já não funcionam mais e é preciso descartá-los? A destinação inadequada desses equipamentos é um grave perigo para a saúde das pessoas e para o meio ambiente, porque nos tubos de imagem, que projetam os feixes eletrônicos para as telas, existe chumbo, um metal pesado que pode até mesmo causar câncer se inalado ou manipulado de forma inadequada.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), somente em 2008 foram comercializados no Brasil 12 milhões de computadores, um aumento de dois milhões em comparação com 2007. O tempo para o equipamento se tornar obsoleto, em média, é de quatro anos. Com esses números é possível antever a quantidade de telas de computador que são descartadas pelo país. E será que elas estão indo para o lugar certo?
Há dez meses atuante em Londrina, a organização não governamental E-lixo (abreviação para o termo lixo eletrônico) recebe doações de equipamentos eletrônicos em desuso, segrega os materiais por categoria, como plástico, vidro, lata, ferro, fios, cabos, metais, e encaminha para empresas de outras cidades que reciclam cada tipo de material.
Por terem altos níveis de chumbo e serem classificados como aparelhos não-recicláveis, os monitores com tubos de raios catódicos são a única parte do E-lixo que nem mesmo na Ong é bem vindo. É que essas máquinas, tão grandes quanto televisores antigos, servem apenas para atravancar o depósito e ocupar espaços valiosos.
O técnico em informática e idealizador do projeto da E-lixo, Alex Gonçalves, nesses meses de trabalho encontrou uma séria dificuldade para destinar os monitores de computador e aparelhos de televisão. A indústria (de reciclagem) não aceita os monitores de volta por ser material contaminado com chumbo e a gente não tem o que fazer, revela. O mesmo problema acontece com as televisões, completou. Segundo ele, os monitores ocupam muito espaço no barracão da Ong, onde apenas nos primeiros seis meses de atividade foram acumulados mais de 300 monitores.
Alex Gonçalves conta que, em alguns casos, a Ong até recusou receber monitores e televisores, porque já estavam desmontados ou quebrados, quando o risco no armazenamento é iminente. A regra número um é justamente nunca desmontar os monitores. Algumas pessoas desmontam e extraem do monitor todo o metal nobre, como o cobre. Aí trazem para a gente só o tubo, mas não entendem que é um problema. Com o monitor quebrado, o chumbo já vazou e provavelmente houve contaminação, alerta
o técnico em informática.
A legislação brasileira
sobre resíduos classifica o
lixo eletrônico como material perigoso e apesar do tubo de imagem ser classificado como não reciclável, explica Gonçalves, é possível sim reciclar esse tipo de material. Porém, antes é necessário descontaminá-lo, num processo custoso e viável apenas se o interessado possuir uma enorme quantidade do material. Já que não é possível fazer os monitores retornarem para a cadeia produtiva, algumas empresas cobram em torno de quinze reais para fazer a incineração, diz. O certo mesmo era fazer os monitores retornarem aos fabricantes, que podem dar a destinação correta, recomenda.


