São Paulo O governo espera decidir até o fim do mês sobre o padrão de TV digital a ser adotado no País. Ao que tudo indica, o vencedor será o japonês ISDB-T. Os europeus, com seu padrão DVB-T, ainda persistem. Enquanto isto, as emissoras de televisão já preparam os próximos passos. Existem questões regulatórias, tecnológicas e industriais a serem resolvidas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bater o martelo.
''Depois da definição, deve levar aproximadamente um ano para os receptores chegarem ao mercado'', afirmou a diretora de Tecnologia de Transmissão da Rede Globo, Liliana Nakonechnyj. As fabricantes terão de preparar suas linhas de produção para a nova tecnologia; as emissoras receberão um novo canal, para transmitir em digital ao mesmo tempo que em analógico, e precisarão mudar os equipamentos de transmissão; e o governo, além de conceder novos canais, terá de definir as regras de transição e de operação, como o período em que cada emissora terá dois canais transmitindo simultaneamente e como funcionará a interatividade e a transmissão de múltiplos programas ao mesmo tempo, num único canal.
Para Johnny Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, a discussão sobre TV digital ''começou muito mal'', e os radiodifusores estavam alijados do processo. Ele atribuiu a correção de rumo à ação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. ''Optamos pelo sistema de modulação japonês para deixar o governo livre para negociar'', afirmou Saad
Os radiodifusores acabaram encontrando eco à sua defesa do padrão japonês na Casa Civil e, desde o começo, nas Comunicações. Somente o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, parece não estar satisfeito com a opção. O Brasil seria o único país, além do Japão, a usar o ISDB-T, o que poderia dificultar exportações de televisores.

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