TV a cabo e provedores de Internet em queda de braço
Agência Estado
De São Paulo
As empresas operadoras de TV a cabo e os provedores de Internet podem travar uma longa batalha para definir o papel de cada um no fornecimento de acesso de alta velocidade à Internet nos chamados serviços de banda larga. A Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abranet) quer que a rede de cabos das operadoras seja compartilhada com os provedores, para que eles também possam oferecer esse tipo acesso. A entidade pretende levar essa sugestão à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que deverá levar sua proposta de regulamentação deste segmento à consulta pública no próximo mês.
A TVA e a NET anunciaram os seus serviços de Internet via cabo na semana passada. A TVA já está comercializando o seu acesso, denominado Ajato, que permite uma velocidade de 258 kilobits por minuto (kbps), ante 33 kbps dos acessos convencionais. Como é um acesso unidirecional, não precisa de autorização da Anatel para ser comercializado. O acesso unidirecional permite que as informações cheguem para o usuário (dowload) via cabo, enquanto os comandos emitidos por ele (upload) são realizados por linha telefônica.
O produto da NET, o Virtua, oferece acesso bidirecional, ou seja, todas as informações são trocadas via cabo, liberando a linha telefônica do usuário. A velocidade mínima é de 128 kbps, mas a empresa pode oferecer acessos até 32 vezes mais rápidos. No entanto, a empresa ainda aguarda a regulamentação da Anatel lançar o Virtua. A TVA já informou que, assim que essa regulamentação sair, também vai lançar acessos bidirecionais. O preço por esse serviço deve variar em torno de R$ 60,00 e R$ 80,00 ao mês por acesso ilimitado.
A chegada dessa nova tecnologia deixou as empresas provedoras de acesso preocupadas. Os serviços que utilizam linhas telefônicas não têm como competir com a tecnologia via cabo, e não há recursos para se construir uma nova rede. Para não perder o mercado, os provedores querem pagar uma taxa às operadoras pelo uso dos cabos para transmissão de dados, como fazem hoje pelo uso da rede telefônica, e fornecer os mesmos serviços aos seus clientes. Mas as empresas operadoras não estão dispostas a compartilhar a sua rede.
Para o presidente da Abranet, Antônio Tavares, as empresas de TV a cabo serão obrigadas a fazê-lo. Elas não podem operar em regime exclusivo, afirmou. Esse modelo de negócio, que hoje é realizado em sistema de banda estreita, não faz sentido nesta nova tecnologia.





