Turra quer municipalização da reforma
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terça-feira, 04 de agosto de 1998
Israel Reinstein, enviado à Brasília 
O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Francisco Sérgio Turra, defendeu ontem, em Brasília, no lançamento do programa Qualidade Total Rural do Sebrae, a reforma agrária municipalizada. Na opinião do ministro, o assentamento feito pelo município seria mais eficiente e rápido que o modelo atual, adotado hoje pelo Incra. Turra se posicionou depois da queixa do presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, quanto às invasões de terra.
Turra entende que a mudança do modelo de reforma agrária poderia servir para diminuir os conflitos agrários, já que são necessárias. A municipalização torna o processo mais ágil e rápido, porque a prefeitura conhece e sabe quem são os que devem ser assentados, disse. Turra se propôs também a verificar uma denúncia feita pelo presidente da CNA, Antônio de Salvo, a respeito do uso do Procera. O presidente da CNA disse que o dinheiro aplicado na educação rural estaria sendo empregado pelos agricultores assentados para formar líderes sem-terra, que estariam invadindo terras.
O ministro Turra disse ainda que a meta de atingir a produção de 100 milhões de toneladas de grãos para a próxima safra deve ser alcançada, com medidas de incentivo e de linha de investimento repassada pelo governo federal. Ele desconsidera que a queda da produção na última safra possa afetar de alguma forma na próxima safra. Vamos ter aumento de produtividade no milho e trigo, prometeu. Mas o deputado federal Hugo Biehl (PPB-SC), da Comissão da Agricultura do Congresso, considera que o produtor estaria extremamente endividado para poder pagar sua dívidas. Qualquer ganho de produção vai se dar independentemente de financiamentos, disse.
Qualidade rural - Para ajudar no processo de melhoria na produção, o Sebrae estendeu o programa Qualidade Total Rural aos 27 estados brasileiros. O Brasil perde por ano R$ 9 bilhões com desperdício na agricultura, disse o presidente do Sebrae, Mauro Durante. O programa, que foi testado no Paraná e em Santa Catarina, deve atender até setembro três mil pessoas em todo o País. No estado, a meta do Sebrae é treinar 1.200 pessoas nestes período.
O presidente do Sebrae do Paraná, Hélio Cadore, explica que a essência do programa é proporcionar meios para realizar uma gestão adequada à propriedade rural. Basicamente é produzir melhor com menor custo, disse. No Estado, o programa foi testado em cinco municípios á- Curitiba, Pato Branco, São José dos Pinhais, Marechal Cândido Rondon e Paranavaí - em julho do ano passado.
Em média, o programa apresenta resultados apenas depois de oito meses, melhorando a safra seguinte. (O repórter Israel Reinstein viajou a Brasília a convite do Sebrae).


