Turra quer mudança no crédito rural
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Agência Estado 
O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Francisco Turra, defendeu ontem, em entrevista à Agência Estado, mudanças profundas na política de crédito rural do País para que o agricultor possa realmente receber os recursos anunciados pelo governo. O modelo de crédito rural tem de ser repensado para a próxima safra agrícola em relação aos agentes que liberam recursos e ao que é dinheiro novo ou não do volume total anunciado, afirmou.
O ministro admitiu que o governo não vai cumprir a promessa de liberar R$ 11 bilhões para a safra agrícola 1998/99, avaliando que será possível atingir, no máximo, 80% do total. Mesmo assim, ressaltou que nem as informações de liberação de recursos pelos bancos oficiais e bancos privados são confiáveis. Disse que pedirá pessoalmente hoje ao presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, que a instituição volte a publicar mensalmente o fluxo do crédito rural no País, conforme era feito até 1996. Vamos cobrar do BC informações periódicas para que possamos fazer uma análise mais profunda do crédito rural. Num verdadeiro desabafo, o ministro Turra afirmou que não dá para aplaudir a política de crédito rural que vigora hoje no País.
Criticou as divergências entre os valores anunciados pelo governo e os que são efetivamente liberados ao produtor e disse que o Pronaf (Programa de Fortalecimento da Agricultura familiar) é a única linha definida do Crédito Rural que vai atingir os números previstos, de R$ 2,5 bilhões na safra que termina em junho.
Mudanças As modificações no Crédito Rural defendidas por Turra deverão começar a ser tratadas hoje durante almoço no Ministério da Agricultura com os ministros da Fazenda, Pedro Malan, do Orçamento e Gestão, Pedro Parente, o presidente do Banco do Brasil, Andrea Calabi, e o diretor de Crédito Rural do BB, Ricardo Conceição. Em seminário organizado pela Agência Estado no mês passado, o economista José Roberto Mendonça de Barros afirmou que o crédito rural está prestes a entrar em colapso e que o Banco do Brasil está aos poucos deixando de financiar a agricultura.
Segundo o economista, as constantes repactuações e alongamentos de dívidas estão engessando o crédito rural, pois reduzem o retorno de recursos para ser aplicado em novos financiamentos. Turra disse que é preciso revisar a política de rolagem de dívidas e anunciar ao agricultor apenas o que ele terá de dinheiro novo na safra. Ontem, durante reunião do grupo de Coordenação de Política Agrícola, o ministro recebeu relatório do Banco do Brasil indicando que até agora foram liberados R$ 5,2 bilhões do crédito rural para a safra, cerca de 7% acima do volume aplicado na safra passado.
Como historicamente o BB participa com 70% do total do crédito rural, a questão é saber se houve realmente uma queda dessa participação ou se os recursos ficarão muito abaixo do total prometido pelo governo. Turra preferiu manter a cautela, dizendo que o secretário de Política Agrícola do Ministério, Benedito Rosa, vai checar os dados também apresentados ontem pelo Banco Central que revelam uma participação maior dos outros bancos.


