O ministro da Agricultura, Francisco Turra, disse ontem que o crescimento da produção de grãos da próxima safra agrícola deverá ser de, no mínimo, 10%, apesar de os números finais da safra 1997/98 anunciados ontem revelarem uma redução de 0,6% da produção e 4% da área plantada em relação ao ano anterior, atingindo 77,9 milhões de toneladas. Turra disse que mantém sua expectativa de que o País atinja uma produção de 100 milhões de t de grãos no ano 2000.
‘‘Apenas com o programa de renegociação das dívidas das cooperativas beneficiamos mais de 600 mil famílias, que devem voltar a produzir’’, afirmou. Segundo o ministro, a previsão é de que a produção de milho aumente em 5 milhões de t, atingindo 36 milhões de t, e a de arroz cresça 2 milhões de t, chegando a 10,5 milhões de t.
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanelo, que também participou da entrevista coletiva para a divulgação dos números finais da safra 1997/98, garantiu que haverá aumento da área plantada de arroz, feijão e milho, enquanto a soja deve se estabilizar no mesmo nível de plantio, o maior da história do País.
Estoques O presidente da Conab disse ainda que os estoques públicos de grãos atingiram em julho o mais baixo nível dos últimos dez anos, com 5,4 milhões de t de produtos em AGF, EGF e outros recebidos da securitização. Além disso, o estoque é formado basicamente de milho (4 milhões de t) e arroz (1,2 milhão de t). ‘‘O baixo estoque é bom para o produtor e, a curtíssimo prazo, ruim para a dona de casa’’, avaliou.
Ele explicou que o baixo estoque é a melhor notícia para o produtor agrícola no início da safra porque significa que ele pode planejar com tranquilidade o aumento da área plantada, já que o preço de mercado não vai cair muito abaixo do mínimo. Para a dona de casa, pode ser ruim porque não há como o governo intervir no mercado em caso de alta de preços.
Mas o presidente da Conab assegurou que o preço do arroz está estabilizado e o de feijão caiu 40% nos últimos dias. Stefanelo sugeriu aos consumidores que pesquisem antes de comprar produtos alimentícios, pois há diferenças brutais de preços de até 40% de uma marca para outra.
Balança Turra e Stefanelo disseram que o saldo da balança comercial agrícola deverá ser reduzido este ano em razão dos menores preços dos principais produtos de exportação, como soja e café. No caso da soja, apesar do aumento da safra brasileira de 26,2 milhões de t para 31,4 milhões de t, a queda dos preços internacionais do farelo e do grão resultou na redução do saldo comercial desse complexo em 8,6%, caindo de US$ 3,1 bilhões em 1997 para US$ 2,4 bilhões este ano.
Por outro lado, as importações de produtos agrícolas aumentarão: os problemas climáticos que afetaram a safra do Rio Grande do Sul, por exemplo, elevaram a necessidade de importação de arroz em 538%, segundo a avaliação da Conab, com uma despesa adicional de gastos em dólares de 66,2%, crescendo de US$ 325 milhões no ano passado para US$ 540 milhões este ano.
No caso do feijão, o aumento dos gastos com importações é calculado em 31,1%, passando de US$ 91,5 milhões para US$ 120 milhões. A redução da safra de milho deve aumentar o volume de importações de 500 mil t para 1,5 milhão de t, com os gastos passando de US$ 80,5 milhões no ano passado para US$ 172,5 milhões este ano.
E, finalmente, no caso do trigo, o pequeno aumento no volume a ser importado indica que os gastos com a importação ficarão um pouco acima do ano passado, passando de US$ 800 milhões para US$ 834 milhões.

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