ArquivoTurra: emprego no campoAo tomar posse no cargo ontem, o ministro da Agricultura, Francisco Turra (PPB-RS), disse que a meta de atingir uma produção de 100 milhões de toneladas de grãos até o ano 2000 deverá abrir novos empregos no campo, com a reabsorção da mão-de-obra expulsa das cidades com o uso da tecnologia. O ex-ministro Arlindo Porto (PTB), que transmitiu o cargo, advertiu o sucessor para as dificuldades da meta.
‘‘Sonhar com 200 milhões ou 150 milhões de toneladas seria irresponsabilidade, pois primeiro temos de ser ousados e buscar o mercado internacional’’, afirmou. Porto deixa o governo após recusar o convite do presidente Fernando Henrique Cardoso para ocupar o Ministério do Trabalho.
Porto disse que se sentia orgulhoso por deixar uma safra de 81 milhões de toneladas de grãos e que sai do governo ‘‘com a bandeira do PTB honrada’’. Após a solenidade, afirmou que o PTB não vai sair da base de sustentação do governo que apóia há três anos. ‘‘Não sou moeda de barganha’’, declarou. À saída, foi saudado por funcionários, representantes de entidades do setor e dos ministérios que participaram com ele do grupo de coordenação de Política Agrícola do governo.
Empregos O novo ministro Francisco Turra apontou a agricultura como a maior geradora potencial de empregos. Segundo estudo do BNDES citado por Turra, para cada R$ 1 milhão investidos, a atividade agrícola pode criar 297 empregos, contra apenas 12 postos de trabalho na indústria. Compareceram à posse os ministros do Transporte, Eliseu Padilha (PMDB), e da Indústria e do Comércio, José Botafogo Gonçalves (PPB), dirigentes do Banco Brasil, secretários e representantes de ministérios.
O gaúcho Francisco Turra é o 116º ministro da Agricultura em 137 anos de existência do ministério. A baixa média de permanência no cargo, de cerca de um ano e dois meses, talvez explique, na avaliação de lideranças do setor, a falta de uma política agrícola duradoura para o País. Para o presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, o que importa não é a mudança de nomes, mas a constatação de que a agricultura continua sendo tratada como ‘‘moeda de troca’’ nas negociações políticas. ‘‘E isso não é privilégio do Fernando Henrique, ele está apenas fazendo a mesma coisa que seus antecessores’’, avaliou de Salvo.
O coordenador de negociação da bancada ruralista no Congresso, deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), disse que não via necessidade de mudança no ministério. ‘‘No Palácio do Planalto, optou-se por atender aos interesses do governador Britto (Antônio Britto, do Rio Grande do Sul) e do PPB que poderiam ser resolvidos de outra forma’’, avaliou. Mas, já que a mudança aconteceu, Lupion não perde tempo e avisa ao novo ministro que a bancada ruralista está atenta e vai cobrar medidas para defender os produtores brasileiros. ‘‘Nenhum ministro da Agricultura sobreviveu até hoje sem a bancada ruralista’’, resumiu Lupion.
Para os críticos e lideranças da agropecuária nacional e cooperativistas, o ponto mais importante do pronunciamento do ministro Francisco Turra é a promessa de compromisso com a melhoria da infra-estrutura. Segundo Turra, o País precisa investir em infra-estrutura, melhorar estradas vicinais, utilizar melhor o sistema de transporte, ampliar a capacidade de aramazenagem e agregar valor ao que é produzido no campo. Ele disse que seus maiores desafios à frente do ministério serão os de gerar alternativas de renda para os agricultores e garantir emprego para os trabalhadores rurais.
Já estão no salão do andar térreo do edifício-sede do Ministério da Agricultura, onde se realizou a cerimônia de transmissão do cargo, vários parlamentares da bancada ruralista no Congresso, o ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo, embaixador José Botafogo Gonçalves, secretários e funcionários.

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