Turra fará mudanças no segundo escalão
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terça-feira, 30 de março de 1999
Agência Estado 
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, deverá promover uma ampla reforma na estrutura administrativa do ministério nos próximos dias. As mudanças virão não apenas em consequência da pressão dos partidos aliados - principalmente do PPB, ao qual pertence o ministro -, mas também da constatação do Palácio do Planalto de que é preciso alterar uma estrutura velha e viciada. O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanelo, deverá deixar o cargo.
A empresa voltou a ser alvo de denúncias de corrupção, principalmente em relação aos leilões de produtos agrícolas, que estariam sendo dirigidos a grandes armazenadores. O Tribunal de Contas da União (TCU) já foi acionado para checar essas denúncias, mas, por enquanto, não há provas de desvio. O presidente da Conab foi procurado pela reportagem da Folha , e ficou surpreso com a informação, afirmando desconhecer as mudanças que o ministro irá promover.
Os secretários de Defesa Agropecuária, Ênio Marques, de Desenvolvimento Rural, Murilo Flores, e o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Ailton Barcelos, também deverão deixar seus cargos. Barcelos vai coordenar a Agência Brasileira do Agronegócio, cuja estrutura deverá ser aprovada no mês que vem para alavancar as exportações do setor. Já o secretário Ênio Marques, apesar de sua reconhecida competência no mercado, é alvo de críticas do Palácio do Planalto por não conseguir comandar as mudanças necessárias em sua área. O secretário de Política Agrícola, Benedito Rosa do Espírito Santo, e o presidente da Embrapa, Alberto Portugal, deverão ser mantidos nos cargos.
As vagas que se abrirão no segundo escalão do Ministério da Agricultura vêm provocando divergências entre os partidos da base aliada e o PPB, que dá sustentação ao ministro Francisco Turra, está tão sem comando, na avaliação de assessores políticos do Ministério, que nem consegue indicar nomes. Quando assumiu o Ministério, Turra manteve praticamente todos os funcionários em seus cargos. Apenas a escolha do presidente da Conab foi definida pelo Palácio do Planalto. Agora, o ministro diz que quer mudar, mas para melhor, e os interesses de todo tipo do PPB estão dificultando as reformas. Segundo os assessores, Francisco Turra tem recebido mais sustentação de outros partidos do que do próprio PPB.


