Turra exige mais crédito dos bancos
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
Mariângela Heredia Agência Estado 
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, disse ontem que o aumento das exigibilidades bancárias de 25% para 30%, que deverá ser definido esta semana pelo governo, é a única saída para recompor cerca de R$ 1,1 bilhão que foram reduzidos do custeio da safra agrícola em consequência da crise financeira internacional.
Segundo o ministro, informações dos próprios bancos indicam que os produtores rurais estão usando o cheque especial para financiar o plantio das lavouras, situação que considera bastante preocupante. O produtor não tem a menor condição de pagar taxas de juros sequer parecidas com as do cheque especial, nem plantando maconha, desabafou.
Turra assegurou que os agricultores estão usando o cheque especial porque acreditam que os recursos prometidos pelo governo para o crédito rural serão liberados.
Em junho, quando lançou o Plano de Safra 1998/99 o presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu destinar R$ 10,3 bilhões para o custeio das lavouras. Estou convicto que o programa vai ser cumprido, mas o problema é a urgência dos recursos, já que o importante para a agricultura é plantar na hora certa, afirmou o ministro.
Exterior O Banco do Brasil (BB) já vê sinais de retomada dos empréstimos externos captados através da chamada 63 Caipira após o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo Turra.
Mas a única solução considerada rápida e efetiva para cobrir o programa de plantio da safra anunciado pelo governo é mesmo o aumento das exigibilidades bancárias, ou seja, da parcela dos depósitos à vista que deve ser aplicada na agricultura.
Saindo o aumento das exigibilidades, estaremos com fluxo normal de liberação de recursos em novembro e dezembro, disse o ministro.
Ele explicou que o BB tem antecipado recursos para o plantio da safra, assegurando que o problema está mesmo nos bancos privados. Eles estão jogando no seu interesse, afirmou.
A decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), de autorizar a compensação das exigibilidades durante um ano, numa tentativa de estimular os bancos a antecipar recursos para o plantio, não surtiu o efeito esperado, segundo o ministro. Turra informou que a medida proporcionou, no máximo, R$ 300 milhões para o custeio agrícola. Não deu para resolver o problema.


