O ministro da Agricultura, Francisco Turra, convocou os parlamentares da Comissão de Agricultura e entidades de classe dos produtores agrícolas para discutir hoje os impactos da crise financeira mundial, principalmente a que afetou os países asiáticos. Segundo o secretário de Política Agrícola, Benedito Rosa do Espírito Santo, houve uma queda no fluxo de comércio entre Brasil e países asiáticos por causa da ‘‘quase suspensão’’ das linhas de financiamento à exportação e das linhas de crédito à produção e comercialização.
Benedito informou que tanto os exportadores brasileiros quanto os asiáticos estão com dificuldades para obter financiamento. Ele disse que ‘‘estão raríssimas’’ as operações de ‘‘63 caipira’’ (financiamento estrangeiro para aplicação no setor rural), devido ao estrangulamento das linhas comerciais, situação que requer reversão urgente.
Além disso, disse que os bancos domésticos também reduziram os créditos à agricultura devido à elevação das taxas de juros. ‘‘Os bancos estão entendendo que emprestar hoje é um risco, porque os juros elevados podem provocar um aumento da inadimplência.’’
Fiscalização O secretário defendeu a terceirização da fiscalização das importações, como é feito com sucesso na Argentina. ‘‘A proposta de imitar o modelo argentino é boa’’, disse. Segundo ele, o processo de terceirização poderia ser adotado, mas não se deve prescindir do acompanhamento do ministério da Agricultura.
Benedito reconheceu que o ministério da Agricultura não tem, a curto prazo, capacidade de fiscalizar no padrão necessário de qualidade, quantidade e preço as chamadas importações predatórias. ‘‘Diante do déficit orçamentário do País, terceirizar a fiscalização seria uma opção interessante’’, insistiu.
Ele disse que atualmente dos 330 pontos de entrada de produtos no país, o ministério está presente em 120 destes pontos. Portanto, a terceirização, com o acompanhamento do ministério, garantiria um esquema eficiente para evitar subfaturamento, importações fraudulentas e eventuais triangulações.
As triangulações nas compras, segundo ele, têm sido a maior em reclamação do setor agrícola e a causadora de competição desleal no mercado interno, como no caso dos lácteos e alho.

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