Mariângela Herédia
Agência Estado
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, anunciou ontem uma redução de 1,1 milhão de toneladas na quinta estimativa oficial de produção de grãos da safra 1998/99, cujos números apontam para um volume total de 82,1 milhões de toneladas contra os 83,2 milhões previstos em abril. Apesar da redução, a safra ainda será recorde, com aumento de 7,7% em relação à anterior - de 76,5 milhões de t.
A queda na previsão, de acordo com o ministro, decorreu da estiagem no Sul, que afetou a colheita de milho e soja, e redução da área plantada de trigo. Turra defendeu uma política mais ‘‘arrojada’’ para o trigo, que incentive o produtor a plantar e reduza a dependência brasileira das importações.
A previsão inicial da Conab para o trigo em abril era de uma produção de 3 milhões de t, mas no levantamento divulgado ontem constatou-se uma redução da área plantada, com uma colheita de 2,3 milhões de t.
Na avaliação do ministro, apesar do aumento do preço mínimo do trigo de R$ 157,00/tonelada para R$ 185/t, o valor ficou abaixo dos R$ 200 pedidos pelo produtor, que acabou optando por plantar uma segunda safra de milho - a chamada ‘‘safrinha’’, em razão dos altos custos do trigo.
Um problema adicional neste ano, segundo Turra, é a redução de 22% na safra de trigo da Argentina, principal fornecedor do Brasil. ‘‘O excedente exportável da Argentina é de 4 milhões de t, das quais 2,5 milhões deverão ser destinadas ao Brasil’’, disse Turra.
Arroz e feijão O presidente da Conab, Benedito Rosa do Espírito Santo, destacou o aumento da oferta de arroz e feijão na safra que termina de ser colhida, com redução de preços ao consumidor. A produção recorde de 11,4 milhões de t de arroz - pouco inferior ao consumo interno estimado em 11,6 milhões/t - e o crescimento de 37,4% na produção de feijão, garantiram abastecimento e queda nos preços.
‘‘O pacote de cinco quilos de arroz, que estava custando R$ 5,40 em São Paulo, em julho de 1998, hoje está em R$ 3,90’’, disse Benedito. ‘‘E o quilo de feijão caiu de R$ 2,98 para R$ 0,82.’’
Milho Para Turra, a produção de milho, estimada em 32,2 milhões de toneladas, ‘‘continua sendo nossa vergonha nacional’’ apesar do aumento de 6,8% em relação à safra anterior. O aumento das exportações brasileiras de carnes, na avaliação de Turra, levará ao crescimento das importações de milho da Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Ele disse que há espaço para um aumento de 10 milhões de toneladas de milho na próxima safra.

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