Todo espaço agora é literalmente explorado. Já não se conserva mais área ociosa dentro de estabelecimento comercial. E mistura-se de tudo. A loja de decoração que Neide Figueiró abriu há mais de um ano no ponto alto da Avenida Higienópolis acaba de ganhar um drinks point.
Jorge Caetano: oficina mecânica agora vende cachorro-quente após as 18 horasA oficina mecânica de Jorge Caetano na Rua Pio XII agora vende cachorro-quente a partir das 18 horas. O bar de Valdecir Monteiro na Rua Humaitá, caminho da universidade, provavelmente terá uma pastelaria logo na entrada, onde hoje se vê uma área enorme, sem utilidade.
Essa diversificação atende a uma nova ordem comercial, a de que é preciso cada vez mais minimizar custos e maximizar resultados. Neide Figueiró começa a ‘‘pegar a onda’’. Quinze dias atrás, abriu uma representação de móveis na loja já com um ‘‘bar’’ para os clientes, engenheiros e arquitetos, principalmente.
‘‘Eu passei um ano e meio trabalhando só com iluminação, até perceber que poderia oferecer mais, como esses móveis de grife’’. A representação de uma empresa de Curitiba veio com essa idéia importada da Europa, de deixar o cliente à vontade, bebericando um bom uísque (que ele paga) enquanto escolhe um ou outro produto. ‘‘A loja de Curitiba está servindo almoço’’, observa. ‘‘É difícil inovar, mas é divertido’’.

Paulo WolfgangÚtil e agradávelNeide Figueiró: cliente pode bebericar enquanto escolhe móveisDepois de trabalhar com publicidade, em agência de modelos e assessoria política, Jorge Caetano voltou para Londrina e, envolvido com carros de corrida, montou uma oficina. Dois anos depois ele fez o que sempre quis: comprou um carrinho de cachorro-quente. ‘‘O Arnaldo (instalado ao lado do colégio Vicente Rijo) me passou todo o esquema de produção e, em poucos dias, já consegui um bom resultado’’.
Caetano diz que enfrenta uma concorrência ‘‘braba’’ e que apela muito para a versatilidade. ‘‘Com tantas despesas, e taxas, e impostos, precisamos sempre inovar, criar novos serviços, desenvolver atividades paralelas’’.
Versatilidade é o termo correto. Valdecir Monteiro está fazendo do seu bar um espaço ideal para grandes festas e ainda acha pouco. Cozinheiro de mão cheia, daqueles que fazem qualquer tipo de prato, ele já planeja instalar uma pastelaria para aproveitar melhor a área externa.
‘‘É muito difícil ganhar dinheiro, mais ainda quando a vizinhança reclama’’, afirma. Em quatro meses de bar, Val sentiu que, mesmo tendo um bom movimento, o retorno não é dos melhores. ‘‘Na verdade’’, diz, ‘‘o dinheiro é que está curto’’.(B.F.)

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