Turismo mantém otimismo em Foz
Se os setores industrial e agrícola do Estado prevêem um segundo semestre nebuloso, o turismo promete aquecer um pouco o comércio de Foz do Iguaçu nos próximos meses. As expectativas só não são melhores porque as crises econômicas do Brasil e da Argentina deixam a população receosa.
As constantes altas na cotação do dólar em relação ao real devem garantir pelo menos os mesmos índices conseguidos no comércio varejista do extremo oeste do Estado. Embora seja tradicionalmente fraca na produção agrícola e carente de indústrias de médio e grande portes, Foz representa o maior pólo turístico do interior do Brasil, atraindo 1,1 milhão de visitantes todos os anos. O fato de sediar o terceiro parque hoteleiro do País, aliado à desvalorização da moeda nacional, garantiu à cidade a segunda colocação no ranking dos turistas estrangeiros. Mas para o presidente do Iguassu Convention and Visitors Bureau (ICVB), Marcelo Valente, as previsões para os próximos meses ainda devem ser vistas com cautela.
O maior cliente é o turista argentino. E mesmo o peso (atrelado ao dólar) estando bem cotado em nosso País, o estrangeiro está receoso com a crise econômica em seu próprio país. Julho é o mês que vai dar o tom para o resto do segundo semestre, resssaltou Valente, lembrando que a cidade está investindo pesado em campanhas publicitárias em todo o Paraná e também em São Paulo, Estado que mais envia turistas domésticos à Foz.
O empresário também vê a crise energética como uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que as pessoas vêem Foz como o berço da energia (referindo-se à Hidrelétrica de Itaipu), elas se recordam dos possíveis apagões e acabam cortando gastos ligados ao lazer e turismo. Os visitantes da região Sudeste estão tão receosos quanto os argentinos, comentou Valente, lembrando que o trade turístico está optando por vender a cidade como sede de eventos.
Levantamentos do ICVB mostram que o visitante permanece na cidade, em média, três dias e gasta cerca de US$ 60,00 diários. A intenção do setor hoteleiro é aumentar estes índices a partir do ano que vem. Apesar de registrar bom movimento de turistas no início e também no fim do ano, Foz sofre com o problema da entressafra turística, principalmente entre os meses de março a junho. Todos os anos temos dificuldades por uns 60 dias. O que estamos tentando fazer é distribuir os grandes eventos durante estes meses de baixa temporada. Para o próximo semestre, por exemplo, estamos com pelo menos 15 eventos grandes (acima de 2 mil pessoas).
Se o turismo vai bem, o comércio varejista segue o mesmo caminho. O secretário da Indústria e Comércio de Foz, Omar Tosi, concorda com Valente em relação à imagem da cidade. O fato de Itaipu estar sempre em evidência transmite mais segurança aos interessados em conhecer a região. A publicidade do apagão será positiva para a cidade, comentou Tosi, que espera um segundo semestre melhor que o ano passado, assim como os funcionários do comércio de Foz. Para o sindicato da categoria, a expectativa de crescimento nas vendas aos vizinhos do Mercosul deve ajudar o patrão a valorizar mais os empregados. Nossa data base foi dia primeiro deste mês, mas já tentávamos negociar um reajuste desde abril. O motivo apresentado (pelos empresário) sempre é o mesmo: crise econômica. Vamos torcer para o comércio ter um reaquecimento a partir de julho, comentou o tesoureiro da entidade, José Carlos Neves.
O comércio varejista de Foz possui cerca de 6,5 mil pessoas com registro em carteira. Estima-se que outros 2,5 mil estejam trabalhando no setor informalmente. Os sindicalistas esperam ainda um bom desempenho no setor de microexportações, realizado pelas pequenas e médias empresas sediadas na Vila Portes e no Jardim Jupira, bairros que ficam próximos à Ponte da Amizade (via que liga Foz a Ciudad del Esteno Paraguai). (Emerson Dias)





