Carmem Murara
De Curitiba
O turismo nacional deve receber da iniciativa privada, até o final do ano 2001, um investimento de R$ 6 bilhões que estará voltado, basicamente, para as classes B e C e não mais para a classe A como ocorreu durante muitos anos no País. A meta agora é investir numa rede hoteleira que conquiste uma fatia de mercado que ainda não descobriu o turismo.
As formas de investimento e a nova tendência do turismo são os principais temas que serão discutidos a partir de hoje no 27º Congresso Nacional dos Agentes de Viagem, evento que foi aberto ontem à noite, em Curitiba.
A abertura da Abav 99 ocorreu no Teatro Ópera de Arame, durante um jantar que reuniu seis mil convidados. Estiveram presentes o governador Jaime Lerner, o prefeito Cassio Taniguchi e o ministro do Turismo Rafael Greca. Os organizadores serviram comidas típicas paranaenses e apresentaram o potencial turístico do Estado.
Ainda durante à tarde, o presidente nacional da Abav, Goiaci Guimarães, falou sobre a expectativa do congresso e sobre o crescimento do turismo no País. Ele disse que a meta agora é democratizar o turismo, como ocorreu com o transporte aéreo, há dois anos. ‘‘Até pouco tempo, poucas eram as pessoas que viajavam de avião e hoje ficou muito mais fácil o acesso’’, exemplificou Guimarães.
A intenção é adotar o mesmo procedimento na rede hoteleira e pacotes turísticos. ‘‘O que adianta ter um hotel cinco estrelas em Vila Velha, Matinhos ou Caiobá?’’, questionou o presidente nacional da Abav, ao enfatizar que grandes hotéis é para grandes centros urbanos que têm demanda apropriada.
Para estimular os empreendedores a investir em projetos não tão ambiciosos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) modificou as linhas de crédito. Foram disponibilizadas linhas de financiamento até R$ 2 milhões, sendo que as antigas atingiam cifras astronômicas que não eram honradas pelos tomadores do dinheiro. ‘‘O BNDES financiava hoje o inadimplente de amanh㒒, comparou o presidente da Abav.
Conhecido como a ‘‘Indústria sem Chamin钒, o turismo é hoje o maior empregador do País, ficando atrás apenas da indústria pesada. Para cada 11 trabalhadores, um está ligado ao turismo. Segundo a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), este setor da economia contribui com 1,6% do Produto Interno Bruto nacional e movimenta, indiretamente, outros 52 segmentos. A Abav questiona os dados da Embratur, garantindo que o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) é menor.
Guimarães aposta que o desenvolvimento do turismo vai ser crescente no País a cada ano. ‘‘Existe uma vontade política e precisamos dela, pois hoje temos mais cachoeiras do que turistas no Brasil’’, afirmou.
O Brasil recebeu no ano passado cerca de 4,8 milhões turistas estrangeiros, número quatro vezes maior do que em 1994, quando desembarcaram 1,7 milhão de estrangeiros para conhecer o Brasil. Mas o País ainda continua a exportar turistas, tendo mandado para o exterior 7 milhões de pessoas em 98. Com a mudança da relação entre dólar e real estes números devem sofrer alteração.

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