São Paulo - Uma temporada de verão de recordes em turistas estrangeiros, em dólares deixados no Brasil e mesmo de viajantes brasileiros pelo país. No mínimo, 15% de aumento em relação ao verão passado, que já havia sido muito bom, unanimemente. E, para alguns e ainda sob alguns aspectos, este poderá ser o melhor verão da história do turismo nacional.
  Essa perspectiva, relatada pelo ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, é compartilhada por agentes do mercado, como o presidente da Braztoa (associação das operadoras), José Zuquim, o presidente da Abih (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), Eraldo Alves da Cruz, pela diretora de vendas da Agaxtur, Doroti Dobner, e pelo presidente da CVC, Guilherme Paulus – aliás, os dois últimos falam, respectivamente, em aumentos de 30% e 20% para a temporada.
‘‘Deve aumentar [o volume de viagens], sim, porque temos mais oferta de pacotes, de destinos, de cabines de navios’’, diz Zuquim, da Braztoa. A associação, que representa 61 operadoras, estima que a receita de suas afiliadas com a venda de pacotes nacionais e internacionais durante o verão alcance R$ 1,2 bilhão, com incremento de 15% a 18% nas vendas.
Presidente da maior operadora do país, a CVC, Guilherme Paulus acredita que este possa ser o melhor verão da história da operadora, até por conta da diversidade de pacotes e viagens oferecidos.
  ‘‘Nós ocupamos 92.985 quartos de hotéis e 168 mil assentos de vôos na temporada [dezembro e janeiro] 2004/2005. Para a próxima temporada, projetamos 111.582 quartos ocupados e 214 mil assentos em aviões.’’ A operadora vem quebrando recordes sucessivos no total de passageiros transportados nos últimos anos.
  Mas, apesar do otimismo – calcado nos resultados da temporada de inverno –, nem todos concordam que o próximo será o melhor verão da história. Eraldo Cruz, da Abih, afirma que, como o total de meios de hospedagem no país quase duplicou nos últimos cinco anos, não dá para comparar a próxima alta temporada com outras anteriores.
  ‘‘Além do mais, temos de nos esforçar para dar um incremento na baixa temporada, pois dizer que o verão vai ser bom é quase um pleonasmo’’, afirmou, ao relatar que há casos de 100% de ocupação em hotéis brasileiros no período dezembro/janeiro – mas de taxas próximas a zero fora da chamada alta temporada.
  O ano em que mais vieram estrangeiros para o Brasil foi 2000, com 5,3 milhões de pessoas. Para este ano, a previsão é que 5,5 milhões de turistas estrangeiros venham ao país, com o ingresso oficial de US$ 4 bilhões. De acordo com o Banco Central, de janeiro a julho entraram US$ 2,166 bilhões no Brasil via passageiros internacionais, 17,2% a mais do que em igual período do ano passado.
  José Francisco de Salles Lopes, diretor de estudos e pesquisas da Embratur, informa que a Europa é, dentre as regiões do mundo, a de crescimento mais expressivo no total de passageiros que visitam o Brasil. ‘‘Isso é bom, porque o europeu fica mais tempo no Brasil e visita vários destinos.’’
No entanto, mesmo que alcance as metas, o setor turístico brasileiro ainda terá pouca participação no cenário mundial – apenas 0,6% do mercado global.
Como comparação, a França, maior receptor mundial de turistas, recebeu 75 milhões de visitantes em 2003. A seguir, a Espanha, com 52,5 milhões. Na América Latina, o México recebeu 18,7 milhões de turistas naquele ano.
Um problema que o Brasil enfrenta está na atração de turistas dos Estados Unidos. Dos 5 milhões de americanos que viajam para a América do Sul por ano, apenas 700 mil vêm para o Brasil.
  Além dos cruzeiros em navios, que devem ser, mais ainda, a sensação do verão, roubando até hóspedes dos resorts, todos os agentes citam os roteiros sol, praia e mar como os mais procurados da temporada. Ceará – com Fortaleza e Jericoacoara –, Pernambuco – com Porto de Galinhas –, Rio Grande do Norte – Natal e praia da Pipa –, além da Bahia, com seus inúmeros destinos – começando por Salvador, a terceira cidade brasileira mais visitada pelos estrangeiros, passando pelo sul do Estado, como Itacaré e Maraú –, devem ser os ‘‘hits’’ do verão.
  O Rio de Janeiro é quase uma unanimidade. ‘‘Quando o turista estrangeiro não vem primeiramente para o Rio, a cidade acaba sendo o segundo destino dele’’, afirma Lopes, da Embratur.

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