Turismo é a saída para o desemprego, diz Ludwig
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terça-feira, 17 de março de 1998
Cláudia Lopes 
Josoé de CarvalhoQuestão de criatividadeWaldez Ludwig: O grande problema mundial não é a falta de dinheiro, e sim a falta de idéias O desemprego continuará crescendo se continuarmos investindo em agricultura e industrialização. A afirmação é do consultor Waldez Ludwig, que faz a palestra Empreendedorismo - a chave para o crescimento e a qualidade de vida, hoje, às 19h45m, no Centro de Eventos do Hotel Sumatra, em Londrina. Ludwig afirma que estes dois setores já não empregam grande quantidade de mão-de-obra. Para gerar emprego é preciso investir em turismo, entretenimento e lazer, gestão ambiental, engenharia genética e saúde.
Um hotel com 100 apartamentos gera 100 empregos diretos. Só que, além do emprego, movimenta a economia. Para 100 quartos, são necessários 100 televisores, 100 aparelhos de ar-condicionado, 100 lençóis etc., diz Ludwig. Para ele, o turismo e o entretenimento carregam a indústria e a agricultura. Isso não quer dizer que a política de instalação de indústrias seja ruim. A indústria é importante porque ao seu redor surgem hotéis, centros de convenções, entre outros negócios, além da geração de impostos. No dia seguinte a abertura de uma indústria, já tem pipoqueiro trabalhando na porta.
Ludwig diz que o povo brasileiro é empreendedor. O que falta é preparo, sala de aula, educação, aponta. O operário que ganha salário mínimo é um empreededor nato. Ele arranja bicos, sua mulher costura para fora e seus filhos vendem balas na rodoviária. No calor de 42 graus do Rio de Janeiro, por exemplo, um minuto depois de cair o primeiro pingo de chuva os camelôs, que até então vendiam fichas telefônicas, começam a vender guarda-chuvas. Ninguém sabe de onde vêm tantos guarda-chuvas. Isso mostra o senso de oportunidade do povo.
Em contrapartida, Waldez Ludwig diz que o brasileiro não é criado para ser empreendedor. Este é o erro. Não ensinamos nossos filhos a dar o devido valor ao dinheiro. O americano não chuta uma moeda de um centavo na rua, por exemplo. Na escola, se as crianças trocam figurinhas, que é um dos primeiros exercícios de negociação, a professora manda parar, diz. A educação cristã também impõe barreiras. Sentimos culpa de ganhar dinheiro. Afinal, os pobres é que entram no céu.
Algumas características do empreendedor: ser inquieto, crítico, criativo, curioso e persistente, além de não ter medo de riscos. O empreendedor precisa de uma boa idéia, ter amizades, da cumplicidade da família, ter controle emocional, saúde física e dinheiro, diz Ludwig. Aquele velho sonho de abrir uma empresa depois da aposentadoria tem propensão ao insucesso. Quem faz ou diz isso tem medo de correr riscos. Segundo Ludwig, a grande crise mundial não é a falta de dinheiro mas a falta de idéias. A palavra de ordem no momento é a criatividade.
Os convites para a palestra de Ludwig em Londrina, que é promovida pelo Sebrae/Londrina, estão esgotados. Amanhã, ele fala a partir das 19h45, no Clube 28, em Apucarana. Os ingressos custam R$ 15.


