Turismo de cruzeiro no Brasil pode crescer 40%
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quarta-feira, 24 de maio de 2006
Mariana Barbosa<br>Agência Estado 
São Paulo - O inverno ainda nem chegou, mas as operadoras de cruzeiros e as empresas de resorts já fazem planos e se preparam para um confronto no próximo verão. Ontem, a Associação Brasileira dos Representantes de Empresas Marítimas (Abremar) divulgou uma pesquisa encomendada à Fipe, da USP, que mostra a rápida evolução das viagens da navio no País. No último verão, as quatro operadoras de cruzeiros que atuam no País faturaram mais de R$ 350 milhões, com vendas de bilhetes no Brasil e na Argentina.
O impacto econômico direto e indireto do setor foi de R$ 245 milhões, considerando gastos das empresas e de turistas. Segundo a Abremar, esses números devem aumentar no próximo verão. As operadoras calculam que cerca de 330 mil turistas devem embarcar em viagens de navio pela costa brasileira, 40% a mais do que no ano passado.
As operadoras trarão navios maiores e mais modernos, que ficarão nas águas brasileiras por mais tempo. Ao todo, serão 11 navios, dois a mais do que no verão passado, correspondendo a um aumento de oferta de 40%. ''O setor trabalha com 100% de ocupação, tudo o que se oferta, vende'', afirma o presidente da Abremar, Eduardo Nascimento, que também é dono da operadora Sun & Sea.
O grande responsável pela popularização dos cruzeiros foi a redução no tempo do passeio - os chamados mini-cruzeiros, de 3 a 4 dias - e, principalmente, dos preços. É possível embarcar em um cruzeiro por nada menos que US$ 240 (R$ 528), preço que em alguns casos pode ser parcelado em até dez vezes, com câmbio fixo. Como os navios são de bandeira estrangeira, os preços são em dólar. ''Além do câmbio favorável, a competição entre as operadoras tem contribuído para baixar os preços em dólar'', diz Rodolfo Zabo, diretor da CVC Cruzeiros.
Na acirrada busca pelo turista, as quatro operadoras que atuam no mercado brasileiro - Costa, MSC, CVC e Sun & Sea - estão adaptando a programação dos navios aos usos, costumes e paladar locais. Trajes descontraídos, muita malhação, shows de artistas consagrados e até feijoada com pagode à beira da piscina: vale tudo para atrair o turista. A italiana Costa, que trará para o Brasil pela primeira vez seu maior e mais novo navio, o Fortuna, com para 3,4 mil passageiros, já vendeu 49% de sua oferta para o próximo verão. Com o Fortuna, a empresa está aumentando sua oferta em 38%. Outra operadora italiana, a MSC, também aposta no mercado brasileiro, com aumento de oferta de 35%. Já a Sun & Sea aumentará sua oferta apenas com a ampliação temporada em 22 dias.
Resorts - O sucesso dos cruzeiros tem incomodado as empresas de resorts, que reclamam de perda de mercado. O setor também prepara estudos para apresentar ao governo e pedir providências contra os cruzeiros.


