São Paulo - A escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 reforçaram os olhares e interesse internacional no país. Por isso, com a imagem em evidência, investimentos - principalmente externos - são esperados para alavancar ainda mais o crescimento da economia. E, diante desses dois importantes eventos, o turismo, sem sombra de dúvidas, é a bola da vez.
  ‘‘Se aproveitarmos o impacto desses eventos desportivos, continuaremos atraindo investimentos ao país pelos próximos dez anos’’, afirmou Márcio Favilla, diretor executivo da Organização Mundial do Turismo (OMT) no Fórum Panrotas, evento que acontece anualmente em São Paulo para discutir as necessidades e tendências do mercado do turismo brasileiro.
  Um dos setores econômicos que mais empregam, o turismo no Brasil deve responder este ano por 3,3 do PIB. Prospecções da Embratur apontam para uma atração de R$ 4,7 bilhões em investimentos nos próximos ano. Pesquisa recente do Ministério do Tursimo apontou que as empresas do setor atingiram quase R$ 43 bilhões em 2010 e, para este ano, a expectativa dos empresários é de crescimento de 16,5% em relação ao ano anterior.
  Segundo dados da OMT, 935 milhões de chegadas internacionais foram registradas em todo mundo. Destas, somente as Américas ficaram com a fatia de 16%, o correspondente a 151 milhões de pessoas. ‘‘A América do Sul colaborou com 2,5% dessas chegadas, um total de 24 milhões de pessoas’’, completou Favilla. Para 2011, o crescimento esperado é bater a marca de 1 bilhão de chegadas, sendo que a América do Sul deve crescer de 4% a 5% das chegadas internacionais.
  ‘‘Já para o ano de 2020, estima-se que o turismo internacional aumente em 50% alcançando 1,6 bilhão de viagens em todo mundo.’’ Contudo, o mais importante, conforme ele, é que o rol dos países emergentes, que até então recebiam apenas 3% desses passageiros, saltaram para a casa dos 56% no último ano. ‘‘O Brasil está nesse grupo. O turismo interno é tão ou mais importante que o internacional.’’
  E, seguindo a boa maré, o presidente da Embratur, Mário Augusto Lopes Moysés, disse que o Brasil já vem apresentando resultados no recebimento de turistas estrangeiros. ‘‘Saímos de 3,7 milhões de visitantes para 5,1 milhões em 2010, um crescimento de 35%. Estes números, entretanto, reforçam grandes desafios no país, como a infraestrutura aeroportuária’’, disse.
  Para ele, além de estar no alvo das companhias aéreas, o Brasil precisa desvincular sua imagem apenas ao Carnaval e Amazonas. ‘‘O Brasil tem de desenvolver seu potencial para abrigar eventos culturais, de negócios e sair dessa sombra que cobre o restante do país. A saída é aumentar a promoção de maneira atraente. Porém, mais do que isso, queremos que o Brasil se torne desejo de destino.’’
Turismo interno
  Tão expressivo quanto o turismo internacional está a movimentação interna, que nos países do G20 representam 75% desse mercado. No Brasil, a situação não é diferente. E grande parte deste mercado, agora, tem sido composto pela classe emergente ou C. Estimativas do setor apontam que até 2014 mais 27,9 milhões de brasileiros integrem essa nova classe média, que hoje já possui 114,9 milhões. Hoje, há 2 bilhões de pessoas dessa classe no mundo; em 2030, serão 4 bilhões.
  Atentos para esse nicho em potencial, o presidente do Conselho de Administração da CVC - agência especializada em pacotes turísticos - Guilherme Paulus, revela que esse público corresponde a 60% de seus clientes. ‘‘O preço e as condições de pagamento, sem dúvidas, são nossos pontos fortes. Isso possibilitou que famílias inteiras viajassem de avião e se hospedassem em hoteis pela primeira vez’’, pontuou, reforçando que o Nordeste é a rota mais escolhida. Um pacote para Porto Seguro, na Bahia, pode ser adquirido por dez parcelas de R$ 70,00, por exemplo.

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