Turismo abre as portas para o viajante 4.0
O novo viajante usa o celular durante toda a viagem e gosta de viver experiências; destinos inteligentes precisam acompanhar essas mudanças
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
O novo viajante usa o celular durante toda a viagem e gosta de viver experiências; destinos inteligentes precisam acompanhar essas mudanças
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
A mudança na forma como as cidades fazem turismo de faz necessária para acompanhar o novo comportamento do consumidor. O “viajante 4.0” usa o celular para tudo – descobrir, explorar, aprender, comparar, comprar e compartilhar -, antes, durante e até depois da viagem. Por esses motivos, os turistas hoje são mais informados, exigentes, preparados e imediatistas. Eles também apreciam viver experiências e valorizam práticas sustentáveis. E para atender a esse tipo de cliente, surgem novos modelos de negócios – vide Airbnb, iFood, entre outros - que interferem nas atividades das agências de viagens, bares, hotéis e restaurantes, por exemplo.

“O turismo mudou porque o cliente mudou. As empresas têm que acompanhar as mudanças, se adaptar, entendendo que o cenário é irreversível. Não dá para ficar parado”, alerta a consultora Marta Poggi, da Strategia Consultoria. Ela esteve em Londrina na última quarta-feira (28) no Conectur, evento de inovação e conexão do setor do turismo de Londrina e Região, que teve como tema o Turismo Inteligente.
Um DTI (Destino Turístico Inteligente) é um destino que utiliza tecnologia de ponta para melhorar a experiência do turista durante a viagem. O termo nasceu em 2002, em Barcelona (Espanha) e foi trazido ao Brasil pelo Sebrae. Mas, por ser recente, ainda é pouco conhecido pelas empresas, afirma Poggi. “Tenho visto de tudo, desde empresas bem atentas, e cuidando da parte de experiência do usuário, oferecendo serviços mais modernos, mas também vejo empresas que estão totalmente fora desse mundo. Isso não está muito ligado ao tamanho da empresa, tem mais a ver com a visão estratégica do empresário de entender que o mundo digital vai muito além de redes sociais.”

Com um dispositivo do tamanho de uma moeda de um real, é possível fazer com que o turista receba informações sobre o estabelecimento de forma instantânea, através do smartphone, quando passa pelo local. A tecnologia já é oferecida por uma empresa de Belo Horizonte (MG), que apresentou sua solução durante o Conectur 2019.
“O beacon tem o diâmetro de uma moeda de um real. Você coloca no atrativo turístico, hotel, restaurante, qualquer local e faz a comunicação com o smartphone de quem está próximo. Manda foto, vídeo, texto, faz com que as pessoas interajam com o ambiente em que estão. O usuário pode acessar o cardápio, acessar vídeo de como foi feito aquele prato, abre-se um milhão de possibilidades”, explica Armando Junior, sócio da Hi Position junto com Glauber Dias.
Em Minas Gerais, a empresa mineira tem 2.100 beacons instalado em pontos turísticos, restaurantes e até em uma mina, 400 metros abaixo da terra. “Quando os turistas chegam lá para visitar, recebem informações sobre a mina lá dentro.” A comunicação com o smartphone é feita por Bluetooth e internet.
A Realidade Aumentada Brasil, de Londrina, aposta na Realidade Aumentada e a Realidade Virtual como uma nova forma de se comunicar com os turistas. “A tecnologia pode ajudar a divulgar o setor de turismo, ser uma ferramenta de marketing”, diz Jéssica Silva Pereira, executiva de Vendas da Realidade Aumentada Brasil.
Na ExpoLondrina, o visitante podia fazer uma viagem de Londrina a Rio de Janeiro usando um óculos de Realidade Virtual no estande de uma empresa de ônibus rodoviário. A Realidade Aumentada também tem uma série de aplicações. É possível, por exemplo, exibir um vídeo institucional quando o turista aponta a câmera do celular para algum lugar específico durante a sua viagem. “A gente está falando com um novo consumidor, então é fundamental que saibamos nos comunicar nessa nova linguagem para atrair novos clientes”, enfatiza Pereira.
EXPERIÊNCIA
A Sonho Lindo Turismo Regional oferece cerca de 48 rotas de turismo de experiência em Londrina e Região, como visita a castelos e vivência nas colônias japonesas da região. Denise de Araújo, sócia do negócio com João Gouveia, conta que a procura por esse tipo de turismo cresce a cada dia. “O turismo de experiência é o segundo que mais cresce. Se vai para a área rural, as pessoas querem comer uma comida que remete à memória afetiva, se vai para um restaurante na cidade, quer se sentar em um ambiente diferenciado. Até por causa da tecnologia, está havendo um resgate de tudo o que a pessoa já viveu. Temos observado a busca de ambientes diferentes, passeios diferentes.”
Segundo a consultora Marta Poggi, mais de 70% dos millenials (nascidos a partir de 2000) preferem gastar com experiência. O interesse é tanto que o turismo de experiência deve chegar a US$ 183 bilhões em 2019 e abre novas possibilidades para o turismo. “Mesmo quando você mora na cidade, quer fazer uma coisa diferente. Passeio de balão, curso de cerveja com degustação, harmonização, degustação de vinho. A gente não quer só ir para um lugar por ir. Quer aprender, falar que voltou com uma bagagem maior que quando saiu de casa.”


