A alta do dólar, a elevação das taxas de juros e a apreensão do consumidor em relação ao racionamento de energia elétrica tiveram uma influência negativa nos financiamentos de veículos pelos bancos das montadoras em abril. A queda no volume financiado foi de 5% em relação a março, mas os números de maio devem refletir uma redução ainda maior.
As afiliadas à Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) financiaram R$ 757,6 milhões em abril, volume 5% inferior ao de março, de R$ 797,3 milhões. No entanto, na comparação com abril de 2000, quando o volume de financiamentos atingiu R$ 539,1 milhões, houve aumento de 40,5%.
O total de veículos financiados pelos bancos das montadoras foi de 56,3 mil unidades em abril. O número é 10,9% menor que o de março, de 63,2 mil veículos, mas é 30% superior ao de abril de 2000, quando foram financiadas 43,3 mil unidades.
‘‘Os resultados de abril demonstram uma tendência de crescimento sobre o ano passado, mas já refletem os efeitos da alta do dólar, do aumento das taxas de juros e da apreensão do consumidor em relação à crise energética’’, comentou o presidente da Anef, Luiz Carlos Andrade. Ele adiantou que o balanço dos financiamentos de maio deverá ser inferior ao de abril. ‘‘O consumidor está mais cauteloso quanto à decisão de entrar num financiamento’’, disse.
TaxasA queda nos financiamentos no mês passado reflete a elevação das taxas médias de juros, que subiram de 1,88% ao mês no início do ano para 1,99% em março e 2,15% em abril. As taxas atuais, entretanto, já estão em 2,26% em média, o que pode acarretar um novo efeito negativo nos resultados futuros.
O aumento nas taxas também levou o consumidor a alongar os prazos, preferindo os parcelamentos em 36 meses. O prazo médio passou de 27 meses no início do ano para 29 meses em abril. O volume médio financiado é hoje de R$ 13,6 mil.
Mesmo com as perspectivas negativas, a Anef ainda não reviu suas expectativas para este ano. ‘‘Vamos aguardar as previsões de produção da indústria automobilística para ver se há necessidade de ajustes’’, afirmou.
Os bancos das montadoras prevêem um total de 650 mil veículos financiados em 2001, com um volume de R$ 8,2 bilhões. Em 2000, as associadas da Anef ofertaram um volume recorde de R$ 7,2 bilhões para financiamento.

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