Turbulência põe fundos DI no topo do ranking
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terça-feira, 31 de julho de 2007
Leandro Modé 
São Paulo - A forte turbulência que chacoalhou o mercado financeiro mundial na semana passada fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrar perda de 0,39% em julho. Com isso, a liderança do ranking de investimentos no mês ficou com os fundos DI, que registraram rentabilidade média de 0,74%. Em seguida, vieram os CDBs, com rendimento médio de 0,72%, e os fundos de renda fixa, com ganho médio de 0,67%. Embora tenha subido com força no meio do vaivém da semana passada, o dólar encerrou o mês novamente em baixa ante o real. A moeda americana perdeu 2,49%. No ano, a desvalorização frente ao real já atinge 11,9%.
O desempenho negativo da Bovespa em julho foi o segundo de 2007 em termos mensais. O outro, de 2,29%, ocorreu em fevereiro e se deveu principalmente aos efeitos, no resto do planeta, da queda de quase 9% da Bolsa de Xangai no dia 27 daquele mês. Em compensação, a Bovespa encabeçou o ranking em quatro dos sete meses do ano até agora - março, abril, maio e junho. O ouro foi o campeão em janeiro e o dólar paralelo, em fevereiro.
Apesar da queda no mês, faltou pouco para a Bovespa emplacar mais uma liderança no ranking. Durante grande parte do dia de ontem, a bolsa paulista operou em alta. Na máxima do dia, o Índice Bovespa chegou a registrar valorização de quase 2%. Se esse desempenho tivesse se mantido até o fechamento do pregão, as ações teriam ficado na primeira posição do ranking.
No entanto, outra má notícia envolvendo uma empresa de crédito americana azedou o humor dos investidores. No meio da tarde, a American Home Mortgage Investment (AHM), especializada em empréstimos ao setor imobiliário, anunciou que está enfrentando sérios problemas de liquidez (ler mais abaixo). Suas ações despencaram pouco mais de 90%. A Bovespa acabou recuando 0,71%, o Índice Dow Jones, 1,10%, e a bolsa eletrônica Nasdaq, 1,43%.
Agosto - Para analistas, o desempenho dos mercados em agosto dependerá, fundamentalmente, dos impactos da crise imobiliária dos Estados Unidos em empresas do setor financeiro.
Estaremos dependentes do desdobramento da crise do mercado imobiliário americano e, também, de notícias e indicadores de crescimento e inflação dos Estados Unidos e da China, disse o administrador de investimentos Fabio Colombo. Se os dados continuarem a indicar piora do cenário do mercado imobiliário e contaminação do restante da economia americana, as bolsas deverão continuar em baixa e o dólar sofrer alta, com piora do risco Brasil, observou. Outro fator que pode contribuir para o nervosismo nos mercados é o petróleo. Ontem, o barril da commodity para entrega em setembro fechou no nível histórico de US$ 78,21 em Nova York. A alta no dia foi de 1,80%. Em Londres, o barril também para entrega em setembro subiu 1,73%, para US$ 77,05.
Segundo analistas, o petróleo caro turbina a inflação mundial e ameaça o crescimento econômico, especialmente dos países importadores, como os Estados Unidos e a maioria das nações que compõem a União Européia. O mercado está prevendo uma redução nos estoques de petróleo bruto, disse o analista Mike Zarembski, da OptionsXpress em Chicago.


