Turbulência no mercado eleva cotação da soja
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quarta-feira, 11 de julho de 2001
Vânia CasadoDe Curitiba 
A turbulência no mercado registrada ontem elevou a cotação da soja no Paraná. A combinação de fatores como o aumento no preço da soja na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos, e a alta do dólar no Brasil, elevou a cotação da soja em Paranaguá para até R$ 29,00 a saca. No final do dia, o câmbio fechou estável e a cotação da soja recuou para R$ 28,5 a saca no município paranaense, informa Flávio França Júnior, analista da agência Safras e Mercados, de Curitiba.
Apesar da queda de R$ 0,50 por saca de soja, o fechamento de ontem ainda foi superior ao de terça-feira, que fechou em R$ 28,00 a saca. No Interior (regiões Oeste e Norte) a soja estava cotada em R$ 26,50 a saca no atacado. Mas não houve negócios. Segundo França, quando a cotação se eleva muito rapidamente, é normal os agentes (produtores e cooperativas) se retraírem. Eles sempre acham que a cotação vai subir mais, diz.
França alerta para o bom momento de vender a soja. Para se ter uma idéia, a cotação de soja na Bolsa de Chicago está em US$ 5,13 por bushell, o que corresponde a uma alta de quase US$ 1 por bushell em relação ao mês de abril, quando o grão estava cotado em US$ 4,22 por bushell. Cada dólar por bushell corresponde a US$ 2,00 a mais por saca, que supera R$ 5,00 a saca, calculou o técnico.
A alta em Chicago vem sendo provocada pelo aumento da demanda e também pelas especulações em torno do clima. Ainda não existem perdas nas lavouras dos EUA, mas o fato de estar se prolongando o período seco e quente elevam-se as especulações, uma característica do mercado de clima. Se chover, esfriam as cotações, avisa. Segundo França Júnior, ainda restam negociar entre 30% a 35% da safra de soja este ano, avaliada em 8,32 milhões de toneladas.
O mercado externo também está favorecendo a alta na cotação de milho. Com a manutenção das exportações, o mercado está pagando US$ 91,00 a tonelada, o que permite pagar quase R$ 1,00 por saca (no atacado) no mercado interno, diz Nelson Costa, assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Com isso, o mercado externo permite pagar até R$ 10,00 a saca de milho, no atacado, diz Costa. O técnico não sabe se o mercado se sustenta nesse patamar, porque está muito volátil. Segundo ele, o câmbio está desgovernado e gera insegurança para os agentes de mercado.


