O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, acredita que a crise por que passa o mercado internacional é de curto prazo e, tão logo seja superada, os países emergentes - como o Brasil - continuarão a receber financiamentos dos capitais estrangeiros. ‘‘As turbulências passam, o mercado de capitais se ajusta e continuam a financiar de forma eficiente o fluxo de desenvolvimento’’, considerou o diretor.
Pinho disse ainda ser ‘‘difícil imaginar que a poupança corra para os T-Bills’’ - os papéis emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos que, exatamente como já ocorreu na crise atual, funcionam como o porto seguro dos investidores internacionais nos momentos de tumulto. Segundo ele, olhando o passado, quando também ocorreram turbulências nos mercados, ‘‘pode-se olhar os próximos 20 anos com bastante otimismo’’.
Até lá, segundo ele, ‘‘a economia será muito mais eficiente, com todas as estatais privatizadas’’. Pinho destacou que ‘‘isso tudo faz parte do processo globalizador’’.
Pinho participou ontem do seminário ‘‘Perspectivas econômicas globais e os países em desenvolvimento’’, promovido pelo Banco Mundial e pelo Ministério do Planejamento, e foi o único integrante da equipe econômica a comparecer ao evento. Os ministros do Planejamento e da Fazenda, Antônio Kandir e Pedro Malan, também eram esperados mas, na mesma hora, foram à uma reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
De acordo com o diretor, dentro do processo de globalização, ‘‘os países têm que apresentar à comunidade internacional fundamentos sólidos e a melhoria dos fundamentos tem acelerado de forma bastante intensa’’. Pinho assegurou que ‘‘os países da América Latina têm tido uma melhoria crescente desses fundamentos’’. Dentre outros, a equipe econômica considera ‘‘fundamentos’’ o controle da inflação, o desempenho da balança comercial, melhoria do déficit em transações correntes, além do equilíbrio das contas do governo.

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