Turbulência domina mercado da soja
Vânia Casado
De Curitiba
Após atingir a maior alta do ano na última sexta-feira e ter acumulado 15% em apenas 20 dias, a cotação da soja caiu 3,8% na Bolsa de Chicago ontem. No final de semana passado a soja atingiu o patamar de US$ 173/tonelada e ontem foi negociada a US$ 166,7/t. Nos próximos 40 dias, o período é de turbulências e o produtor deve ficar bem atento às mudanças para planejar o próximo plantio, recomendou Fernando Muraro, analista da Cotriguaçu. Ele lembrou que está na hora do produtor paranaense começar a pensar em negociar a safra 99/2000 no mercado futuro. Enquanto isso, o preço do milho ameaça cair com a proximidade da entrada da safrinha, que deve intensificar em agosto.
Segundo Muraro, a oscilação brusca nos preços da soja está ocorrendo em função da indefinição do clima no meio-oete americano, principalmente nos estados de Ohio e Indiana, que concentram a maior parte da produção de soja dos Estados Unidos. Até sexta-feira, a expectativa era de prolongamento da estiagem, já que a região produtora está há 20 dias sem chuvas. Como as lavouras estão entrando em fase de floração, período de grande risco se não houver humidade no solo e no ar, ocorreu a alta de preços registrada no final de semana passado. A queda de ontem é atribuida à divulgação das previsões de chuvas sobre a região produtora para o final da semana que vem. Só que ainda não choveu, é só previsão.
Muraro não arriscou uma análise de como o mercado deverá se comportar essa semana, mas lembrou que o produtor deve ficar de olho no comportamento da Bolsa de Chicago para planejar a próxima safra. Se o clima retornar à normalidade com as chuvas, os preços desabam novamente podendo atingir a marca de US$ 151 a tonelada, como estava no ínicio de julho, pior patamar já atingido pela soja na Bolsa de Chicago. Se a estiagem se prolongar, os preços sobem.
A alta no preço da soja ocorrida no final de semana passado refletiu nos preços de balcão, aqui no Paraná. No Oeste, o preço de venda evoluiu 7,1% passando de R$ 14,00 a saca para R$ 15,00 a saca. No porto de Paranaguá, a soja que foi negociada a R$ 16,80 em meados de julho, estava sendo ofertada a R$ 18,50 a saca. Ontem, o preço havia recuado para R$ 18,00 a saca. Quando os preços estavam em baixa, não havia oferta de produto e os negócios estavam parados, lembrou Muraro.
Para os produtores que se anteciparem na venda da safra 99/2000, Muraro disse que devem aparecer ofertas nos próximos dias entre US$ 9,5 a US$ 10 a saca no mercado futuro, o que dá uma margem sobre o custo de produção que deve ficar em US$ 8 a saca. Se houver queda acentuada no preço da soja, o analista disse que será muito difícil para comercializar a produção no ano que vem, com margens muito próximas aos custos de produção. Será a safra da sobrevivência, com uma rentabilidade muito restrita, salientou.
Milho Os negócios com o milho estão em compasso de espera porque as indústrias estão aguardando a entrada da safrinha para comprar. A engenheira agrônoma do departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura (Deral), Vera Zardo não acredita em queda acentuada nos preços do milho. Ela explicou, no entanto, que com o aumento da oferta a partir do mês que vem quando intensifica a colheita, é normal uma queda de preços até o mercado se acomodar. É justamente essa oportunidade que as indústrias estão aguardando, justificou.
No atacado, o preço do milho já teve uma ligeira queda nos últimos 10 dias, passando de R$ 9,00 a saca para R$ 8,80 a saca. No entanto, essa baixa ainda não deve refletir no preço pago ao produtor, que teve uma baixa de 0,68% entre sexta-feira e ontem. A saca negociada em média por R$ 8,30 caiu para R$ 8,24. Zardo explicou que não existe muito espaço para queda nos preços do milho em função da produção estar abaixo das necessidades de consumo. Para esse ano, a produção deverá atingir 32 milhões de toneladas e o consumo, 35 milhões de toneladas.





