Turbulência deve persistir até 2002
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domingo, 24 de junho de 2001
Agência FolhaDe São Paulo 
Apesar de muitos analistas terem aplaudido a intervenção pesada do Banco Central no mercado de câmbio na última quinta-feira, o que caracterizou uma ruptura da política de câmbio flutuante, poucos acreditam em uma estabilidade duradoura. Houve uma queda-de-braço ganha pelo governo. O dólar deverá ficar estável por algum tempo, entre R$ 2,25 e R$ 2,30. Mas essa é uma batalha a ser ganha dia a dia, diz o economista Luis Paulo Rosenberg. Segundo ele, uma política de câmbio flutuante associada a um programa de metas de inflação, como queria o governo, funciona bem desde que o país não esteja sempre à beira de uma crise cambial devido à dependência de recursos externos.
Essa seria a principal fragilidade da economia, segundo Antônio Corrêa de Lacerda, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais. O governo tem um déficit de US$ 27 bilhões no balanço de pagamentos e contava com a entrada de US$ 24 bilhões neste ano para equilibrar suas contas. Mas os investimentos diretos chegarão no máximo a US$ 18 bilhões, o que deixa um buraco de US$ 9 bilhões nas contas externas, diz.
Para reduzir esse déficit e irrigar o mercado de câmbio, atendendo à demanda por hedge das empresas com dívidas em dólar, o governo anunciou que vai buscar no exterior US$ 10,8 bilhões em empréstimos. Analistas têm dúvidas se esse montante bastará. Estima-se que para para dar proteção às empresas que têm dívidas lá fora seriam necessários mais de US$ 100 bilhões.
Para alguns economistas, as nuvens cinzas deverão perdurar até o próximo ano. O cenário econômico e social vai se deteriorar até as eleições presidenciais em 2002, diz Lacerda. Isso porque, segundo ele, com a crise energética e a retração da economia global, haverá menos crescimento econômico, mais inflação, déficit crescente nas contas externas e juros elevados deteriorando as contas públicas e retardando o crescimento da economia.


