Tudo na ponta do lápis para 'atingir os objetivos'
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quarta-feira, 02 de agosto de 2006
Elia Araújo<br> Reportagem Local 
A diagramadora Rute Roseli Galvão tem um controle rigoroso sobre o orçamento familiar. Ela confere tudo nos mínimos detalhes. Por exemplo: a geladeira só é aberta quando realmente é necessário; durante o dia aproveita-se a luz do sol; as roupas são passadas de uma só vez e apenas uma vez por semana; o hidrômetro é lido com frequência, para o consumo de água não exceder os 10 metros cúbicos - limite para a tarifa mais baixa da Sanepar.
Rute afirma que começou a fazer economia doméstica ''por necessidade''. A família dela morava com a avó em São Paulo. Quando a avó faleceu, eles precisaram se mudar e vieram para Londrina. Desde pequena, ela já participava da rotina do lar e aos 13 anos ajudava a mãe a cuidar da irmã caçula. Ela tem mais dois irmãos. E, para ajudar em casa, começou a trabalhar em um escritório de contabilidade. Depois, fez o curso de Economia por dois anos, mas descobriu que a vocação era mesmo a diagramação, na área do jornalismo impresso.
O aprendizado sobre economia aconteceu na escola e no trabalho, mas Rute reconhece que a base veio da família: ''Meus pais sempre nos orientaram em relação à necessidade de economizar para atingir nossos objetivos'', diz.
Desde que veio para Londrina, a mãe de Rute já acalentava o sonho da casa própria. E o primeiro passo em busca deste objetivo foi fazer a inscrição na Cohab. Em 1989, a família foi contemplada com uma casa popular de 33 metros quadrados nos Cinco Conjuntos (zona norte). A casa era pequena para uma família de seis pessoas, mas todos se uniram e se organizaram para ampliar a nova moradia.
A obra tinha de ser construída de acordo com as possibilidades e, para isso, era preciso administrar centavo por centavo. Foi então que Rute decidiu ''levar tudo na ponta do lápis''. A casa foi ampliada e hoje tem mais de 100 metros quadrados. Os três irmãos se casaram e hoje ela mora com oss pais.
Manter as contas e os afazeres domésticos sob controle é algo que se tornou normal para a família, inclusive para os irmãos casados, que procuram seguir o exemplo. Todas as receitas e despesas da família são anotadas em um caderno. Rute tem uma planilha com contas fixas (água, luz, telefone, supermercado e transportes) e até as despesas ocasionais são programadas com a devida antecedência. Se ela deseja, por exemplo, comprar um calçado ou um utensílio para casa, faz antes uma pesquisa de preços. Crediário só se for em poucas prestações e sem juros. Ela simplesmente ignora os cartões de crédito enviados à revelia.
Rute faz questão de afirmar que não se priva de nada por fazer economia. Pelo contrário. Até o dinheiro para o lanche, o suco, o sorvete e o lazer com os amigos, fica reservado. ''O dinheiro para pagar as contas fica separado e mesmo que esteja em minha bolsa, eu sei que aquele dinheiro já tem uma finalidade'', afirma.
Com todo este planejamento, Rute diz que consegue economizar até 30% do salário, que é sua única fonte de renda. Ela afirma também que a preocupação com a família não está relacionada apenas a dinheiro, mas ao completo bem-estar. E acredita que está alcançando seus objetivos com a providência divina: ''Eu acho que a fé em Deus ajuda, multiplica...'', avalia.


