Encher a sacola com roupas para vender em outras regiões não é coisa nova. Desde muito tempo viajantes comerciais traziam a última moda do vestuário em sacolas. Eram os chamados mascates que ofereciam roupas, sabonetes e rendas. A chegada desses comerciantes era quase um acontecimento na comunidade e as crianças adoravam ver os baús cheios de bugigangas.
E foi assim, vendendo sacolas de porta em porta, que Rosalva Belo Borges descobriu que podia faturar bem sem ter que cumprir horários comerciais. Há quatro anos, ela começou a vender ponta de estoque de marcas famosas da cidade. ''Levava as sacolas para uma clínica de fisioterapia, onde meu filho era atendido. Foi assim que comecei'', diz ela que já tinha trabalhado há muitos anos como vendedora de uma loja de departamentos. Hoje, Rosalva construiu um cômodo nos fundos de sua casa, onde atende as clientes. ''Já não saio de casa mais para vender porque tenho uma boa clientela e, além disso, aproveito para ficar em casa e cuidar do meu filho'', salienta Rosalva, que transformou o cômodo numa miniloja.
Há 20 anos, Rosemeire de Souza Jovanovich Trammim deixou a gerência de uma papelaria para ser autônoma. ''Gosto de vender e mesmo quando tinha trabalho fixo, nas horas vagas estava sempre vendendo alguma coisa como cremes e perfumes. Quando decidi vender confecções, larguei o trabalho fixo. Hoje tenho várias clientes, mas a cada dia a gente vende para alguém novo'', conta Rosemeire, que monta sua ''banca'' nos banheiros da Universidade Estadual de Londrina e nos corredores de alguns colégios. Nesses locais, ela tem licença para vender. ''Na UEL vendo nos banheiros e, dependendo do lugar, abro o porta-malas do carro e monto um guarda-sol com algumas cadeiras para as clientes''. Fora esses locais, Rosemeire agenda e vai até as casas das clientes, o que também sempre acaba rendendo bons negócios. (V.B.)

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